Rubinho e Ferrari desmentem crise

Apagar o incêndio. Essa foi a preocupação de Rubens Barrichello nesta quinta-feira, depois da confusão em que se meteu na terça-feira, durante a entrevista coletiva em que mostrou seu desagrado por correr em Interlagos com a F2001 da Ferrari, enquanto Michael Schumacher terá à disposição o carro novo, F2002. As declarações repercutiram tão mal que o jornal italiano ?Gazzetta dello Sport? publicou nesta quinta-feira que o brasileiro havia selado sua sorte na equipe, e que estaria fora ao final da temporada. O diretor esportivo da Ferrari, Jean Todt, desmentiu a degola de Barrichello, mas não deu nenhuma garantia de que terá seu contrato renovado. "Até hoje, 28 de março, não vejo outro piloto que possa substituí-lo na equipe. Não temos pressa para definir o companheiro de Michael no ano que vem", disse. O francês também esclareceu, finalmente, a razão de o seu time usar apenas um modelo novo no GP do Brasil: "Não tínhamos três carros novos e todas as peças de reposição necessárias para utilizá-los em uma corrida." Mas Rubinho ficou pressionado. Nesta quinta-feira, disse que foi mal-interpretado pelos jornalistas brasileiros, que não vê problemas na opção da equipe e que jamais falou em deixar o time ao fim da temporada. "Não tenho problemas com a Ferrari, nem com ninguém dentro da equipe. Apenas tenho minhas opiniões. E há dias em que estou feliz e outros em que não estou. Só isso. Agora, sou um homem feliz na Ferrari. E para mim não há problema em correr com o carro de 2001. Ele é competitivo?, disse Rubinho. As declarações foram feitas em nova coletiva, desta vez promovida pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), no autódromo de Interlagos. O brasileiro, aliás, só falou durante a entrevista. Ao fim do encontro, quando a Agência Estado lhe pediu mais algumas explicações sobre a confusão, Rubinho, educamente, limitou-se a responder. "Desculpe, mas não posso falar mais do que já falei.? Depois, saiu rapidamente. Na F-1, não é a todo momento que os pilotos falam o que querem, e nem na hora que querem. Por isso, o fato de ter se recusado após a coletiva pode ser entendido como obediência às regras gerais do jogo. Mas o piloto também pode ter sido instruído pela Ferrari a não falar mais do que o combinado com a equipe, depois do mal-estar criado na entrevista de terça-feira. Esse tipo de instrução, aliás, é comum na categoria. Nesta quinta-feira, Rubinho considerou natural a opção da Ferrari. "A decisão (de destinar o carro novo ao alemão) foi tomada tardiamente. O carro foi bem nos testes em Barcelona (na semana passada), é melhor (do que o F2001) em vários aspectos e o Michael é o líder do campeonato. Apenas isso.? Importância - Barrichello percebeu que não adianta ficar se remoendo, principalmente agora, que vai disputar o que definiu como "o GP mais importante do ano? para ele, por ser no Brasil. "Vou correr com o F2001, que é um carro competitivo, e é nisto que preciso me concentrar.? Jean Todt saiu em defesa do piloto. "Acho que a imprensa brasileira tem certa perseguição com Barrichello." Ele não considerou erro grave o piloto transferir para o assessor de Imprensa da Ferrari, Luca Colajanni, a responsabilidade para explicar o porquê de ele correr com o carro velho. "Depois de várias perguntas numa entrevista, o piloto já passa a responder de forma diferente." Regra nova - A nova regra estabelecendo a perda de 10 posições no grid para o piloto responsável por um acidente, que valerá já a partir do GP do Brasil, voltou a merecer comentários de Rubinho. "Vai ajudar o show, mas em algumas situações, será difícil punir, como em Mônaco?, disse. Felipe Massa, brasileiro da Sauber que também participou da coletiva, mostrou-se mais apreensivo em relação à nova regra. "Vai ser preciso muito critério para dar a punição. Acho que só deve ser aplicado em casos graves?, falou. Sobre o que espera em Interlagos, Massa explica com objetividade. "Largar entre os 10 ou 12 primeiros e chegar entre os 10 primeiros.?

Agencia Estado,

28 Março 2002 | 17h10

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