Rubinho e Schumacher muito, muito atrás

Os dois pilotos da Ferrari, Rubens Barrichello e Michael Schumacher, largam neste domingo no GP de Mônaco conscientes: "Podemos tomar uma volta da McLaren e da Renault", afirmou Rubinho, depois da primeira sessão classificatória, neste sábado, em que a Ferrari ficou impressionantes dois segundos e meio atrás de Kimi Raikkonen, da McLaren, o mais rápido, o maior candidato a vencer a prova, ao lado de Fernando Alonso, da Renault. "Eu venci com a Ferrari, agora perco com a Ferrari e tenho certeza de que voltarei a vencer com a Ferrari", disse Rubinho sobre a assustadora vantagem que os adversários impuseram a seu time nos 3.340 metros do lento traçado monegasco. "Estamos trabalhando, muito, às vezes testamos 20 diferentes novidades no carro e apenas uma ou duas se mostram úteis. É um processo lento", explicou. Jean Todt, diretor geral da equipe, deu o seu diagnóstico: "Não há muito o que dizer. Um abismo nos separa dos primeiros, principalmente por falta de aderência." Para um bom entendedor o recado foi dado: os pneus Bridgestone da Ferrari não oferecem a mesma aderência dos Michelin utilizados pela McLaren e Renault, as duas principais escuderias do campeonato até agora este ano. Schumacher, da mesma forma, já não esconde o que pensa: "Estou muito desapontado, do treino da manhã estava sete ou oito décimos mais lento que os melhores, o que já é muito, mas à tarde, na classificação, subiu demais." Como se explica que a Ferrari, ainda em 2004, vencia tudo e agora luta para estar entre os dez primeiros? Rubinho dá sua opinião: "Um certo atraso no desenvolvimento do carro, com os problemas de câmbio que tínhamos, e as mudanças no regulamento, de pneus e aerodinâmica." Os treinos do GP de Mônaco deixaram claro para Schumacher: "Enquanto nós andamos para trás, nossos adversários avançaram bastante." Rubinho deu números: "Nos tornamos meio segundo mais lentos e a McLaren e a Renault um segundo mais velozes. A diferença real é de 1,5 segundo e não 2,5 como na primeira classificação", argumentou Rubinho. O fato de ele e Schumacher estarem entre os primeiros a marcar tempo, neste sábado, explica esse segundo a mais no tempo para Kimi Raikkonen.Diante da insistência dos jornalistas italianos para saber se a Ferrari já está pensando em 2006, uma vez que a diferença de pontos dos pilotos e da equipe aumenta a cada prova, Rubinho foi ríspido: "Não. Se tem gente na Ferrari pensando nisso eu não sei. Nós, pilotos, não." As próximas etapas da temporada, dia 29 em Nurburgring e depois Canadá e Estados Unidos, serão, segundo acredita, menos desfavoráveis para a Ferrari. "Nosso maior problema é em curva de baixa velocidade, não temos tração, os freios não são o máximo também." O discurso de Rubinho não deixa de expor um lado da história que até agora poucos colocavam em xeque: o modelo F2005. "Não é o pior carro que já pilotei na Ferrari, em curvas de alta é muito rápido", afirmou o piloto. O F2005 é o primeiro coordenado pelo engenheiro italiano Aldo Costa. O sul-africano Rory Byrne, até então responsável pelos projetos da Ferrari, apenas supervisionou o F2005. A Ferrari começa a dar sinais de que não é só a Bridgestone a culpada pelo súbito fracasso no campeonato este ano.

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