Rubinho muda estratégia em 2002

Ao que parece, o diagnóstico de Rubens Barrichello desta vez foi preciso ao analisar suas possibilidades na temporada que começa dia 3 de março na Austrália: "Preciso trabalhar mais minha cabeça que os braços". O piloto da Ferrari declarou ainda, nesta quarta-feira, no encontro da equipe com a imprensa, nos Alpes italianos, que dispõe de 30 a 35% da atenção da sua escuderia, "mas que se recebesse 50% poderia até lutar pelo título." Pela primeira vez, desde que passou a conviver com Michael Schumacher na Ferrari, Rubens Barrichello admitiu que o fator que mais o atrapalha para conquistar melhores resultados não é sua menor habilidade para competir contra o piloto alemão, mas sua postura diante da forma como a Ferrari administra a equipe."Jackie Stewart sempre me disse isso, para eu cuidar mais do meu lado lado emocional que o de piloto", explicou nesta quarta-feira para os jornalistas. Rubinho sugere ter descoberto que se deixar de ficar preocupado, como faz, em ser mais veloz que Michael Schumacher, seu trabalho fluirá de maneira mais natural e, possivelmente, suas chances de vitória aumentarão. "Preciso fechar os olhos para algumas coisas e continuar determinado", diz. Não é hora de pensar no futuro, comenta, mas de viver intensamente o presente. Seu contrato com a Ferrari termina no fim do ano. "Não posso ficar lembrando disso toda vez que vou fazer uma ultrapassagem, ter medo de rodar, sair da pista. Se eu fizer na pista o que desejo, meu futuro estará garantido."Quando recebeu a atenção total da equipe, nas quatro etapas do último campeonato, depois de Michael garantir o título, provou que poderia vencer, apesar de não tê-lo feito. "Não ganhei em Monza e em Indianápolis por causa de pequenos detalhes que não posso ser responsabilizado." Como exemplo de que desfruta de prestígio dentro da Ferrari, lembrou que o interesse do time por Juan Pablo Montoya, noticiado pela imprensa inglesa, foi desmentido publicamente pelo diretor esportivo da organização italiana, Jean Todt.Há três meses sem pilotar, por conta da proibição do regulamento e do programa de seu time, Rubinho afirmou que nos últimos 15 dias passou a se interessar novamente por retomar suas atividades. "Antes disso não pensava muito em Fórmula 1. Adorei acompanhar meu filho, Eduardo, pular de 3,6 para 7,6 quilos." Eduardo tem agora 4,5 meses. Ao contrário do que já publicou a imprensa italiana, o piloto não se tornará mais lento por causa do filho, conforme defendia Enzo Ferrari. "Mais feliz, com o menino, tendo a produzir mais em vez de me tornar mais lento", afirma.Testes - Sábado, domingo e segunda-feira ele e Michael Schumacher irão testar em Valência, na Espanha. A nova Ferrari deverá ser lançada dia 1º em Maranello. Os adversários da escuderia italiana já estão treinando. "Fiquei impressionado com o resultado da McLaren em Barcelona", falou. "Como eles mudaram do pneu Bridgestone para o Michelin, achei que teriam algums problemas no início, mas ao contrário disso mostraram-se extremamente velozes." Para o piloto, a McLaren será uma concorrente ainda mais difícil que a Williams em 2002. "Penso que Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher vêm muito forte, sem dúvida, mas a McLaren, com os pneus Michelin, mostrou que crescerá bastante." A Ferrari compete com pneus Bridgestone.Mesmo sem conhecer ainda o novo modelo italiano, as qualidades do carro do ano passado, base do monoposto deste ano, o permitem acreditar que ele e Michael continuarão lutando pelas vitórias. "Buscamos principalmente melhorar a aerodinâmica e a tração. Vamos avançar, não há dúvida, mas é preciso saber quanto a McLaren e a Williams crescerão também." O frio intenso em Madonna di Campiglio, temperaturas próximas dos 10 graus negativos, trouxe um benefício para o piloto. "Nessas temperaturas assim baixas não neva, o que é melhor para mim, pois não vão ficar gozando a cada tombo quando esquio."

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2002 | 12h13

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