Rubinho: Schumacher foi malandro

Amanhã serão realizadas as duas sessões de treinos livres do GP da Europa, no circuito de Nurburgring, Alemanha, sétimo da temporada. Mas ainda repercute forte na Fórmula 1 a corrida de domingo, em Mônaco. Ao ser questionado sobre a reação de Rubens Barrichello, de criticá-lo por lhe ter ultrapassado na última volta, Michael Schumacher disse que a razão é o "caráter temperamental" dos brasileiros. Rubinho não gostou: "Não concordo. As pessoas acham que eu tenho uma vida fácil aqui na Ferrari. Fica quieto, chega em segundo que está bom para você que está ganhando seu dinheiro. Minha vida não é assim, estou aqui para ganhar minha corrida", afirmou. "Fui lento no pensamento, em Mônaco, ao achar que meu companheiro está atrás para me proteger já que eu vou passar o Ralf Schumacher (Toyota), mas ele usou da malandragem para me ultrapassar." Na 78.ª volta da corrida do principado, Schumacher assumiu o sétimo lugar que era de Rubinho na freada da chicane, depois do túnel, e até agora o episódio não foi totalmente digerido pelo brasileiro. Muito em função de o alemão ter considerado sua manobra como normal. "Vendo na TV até parece que não foi nada, mas isso porque eu vi o Michael, caso contrário nós teríamos batido. Se fosse eu que tivesse tentado ultrapassá-lo cairia o mundo." Rubinho disse mais: "A minha postura dentro da Ferrari não vai mudar depois disso (as críticas). Eles precisam saber que não têm mais um Eddie Irvine que concorda com tudo." Depois, Rubinho comentou que o assunto morreria ali. "Não vai atrapalhar meu fim de semana aqui em Nurburgring." Outra sequela da prova de Mônaco foi, também, conforme ficou claro hoje, a acusação de Ralf Schumacher ao próprio irmão, que tentou ganhar sua sexta colocação a pouco metros da linha de chegada. "Michael às vezes é louco, desliga o cérebro." Hoje procurou contemporizar. "Há ocasiões em que precisamos rever nossas declarações, como agora.Lutamos pelo mesmo objetivo, somos competitivos, temos opiniões diferentes, essas coisas são normais em corrida", falou Ralf. Sentado ao lado, Schumacher só ouvia tudo. "Os jornais exploraram bem o tema, mas é tudo BS, e os ingleses sabem bem o que é isso", limitou-se a comentar. O BS citado é Bullshit, ou uma forma mais delicada de dizer merda. Mas diante da insistência dos jornalista ingleses, hoje, Schumacher chegou a ser ríspido, o que é raro no seu comportamento: "Que tal pararmos com essas discussões estúpidas e começarmos a trabalhar?" Os jornais alemães publicaram, em suas edições de hoje, que Rolf, o pai dos dois pilotos, interveio no conflito que se estabeleceu entre ambos logo em seguida à corrida do principado. Outro episódio que se estendeu da última prova para a Alemanha foi a precipitação de Jacques Villeneuve em ultrapassar Felipe Massa, ambos da Sauber, na 63.ª volta. O time suíço perdeu a chance de marcar 5 pontos. "Na realidade o Peter Sauber me chamou na sede da equipe mas quase nem falamos sobre o ocorrido. Foi o Villeneuve que fez tudo. Não sei qual a consequência", contou Massa. Sabe-se que o canadense, campeão do mundo de 1997, levou uma bronca, ainda que depois, para atenuar, disse à imprensa que "quase não se falou sobre Mônaco na reunião." Tanto Schumacher quanto Rubinho demonstraram certa preocupação com o tempo na região do circuito de Nurburgring. Faz calor. Muito, 30 graus, hoje. "Há 15 dias tínhamos neve a não muitos quilômetros daqui", dizia Gertrud Schneider, moradora de Meuspath, vila localizado ao lado da pista. O pior para a Ferrari é que a previsão para domingo é de 31 graus, algo que os alemães dessa região do Oeste, próxima da fronteira com a Bélgica, quase não conhecem. Os pneus Bridgestone da Ferrari, em geral, aceitam menos o calor que os Michelin, da McLaren, Renault, Williams e BAR, dentre outras. "Nossos pneus terão de trabalhar bem com uns cinco graus a mais do que imaginávamos", falou Rubinho. A novidade do GP da Europa é a volta da BAR-Honda, suspensa das etapas de Barcelona e Mônaco, por ter, segundo a FIA, usado um tanque de gasolina extra para ajudar a chegar no peso mínimo do carro, 600 quilos. E seu retorno não começou bem: "Teremos de usar os mesmos motores da prova de Ímola", disse Otmar Szafnaver, da Honda. Isso porque a equipe trocou os motores de Jenson Button e Takuma Sato para aquele GP e o regulamento manda que sejam duas corridas por motor. "Não é bom para a saúde do motor ficar tanto tempo, umas cinco semanas, parado", adiantou Szafnaver.

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