Rubinho se livra da ?pedra no sapato?

Mais relaxado por trocar a Ferrari pela BAR a partir do ano que vem, Rubens Barrichello se sentiu confortável para expressar alguns dos motivos de sua mudança de equipe e a decepção por não ter sido campeão na passagem pela escuderia italiana. Nesta entrevista à Agência Estado, nas vésperas do GP do Brasil de Fórmula 1, o brasileiro também falou do seu relacionamento com os filhos e a possibilidade de eles serem pilotos no futuro. Agência Estado - É possível perceber que você é um piloto que costuma sofrer críticas da geração que viu Emerson (Fittipaldi), (Nelson) Piquet e (Ayrton) Senna correndo. Mas, ao mesmo tempo, você é um ídolo para os torcedores mais jovens, que não viveram essa época. Como você lida com esse contraste?Rubens Barrichello - Eu acho que existe uma separação boa daqueles que me viram correr dekart - que naquele momento me chamavam de promessa - daqueles que acompanharam meu ritmo de carreira e viram, de uma certa forma, que eu passei por equipes que não eram vencedoras e depois caí na Ferrari, uma equipe vencedora, com um carro vencedor, mas com uma pedra no sapato que era o Schumacher. Então, tem muita gente que acredita muito no meu talento e acho que essas pessoas são aquelas mais jovens. Para aqueles que acompanharam o Ayrton e o Nelson e viram, principalmente do Ayrton, muitas vitórias, e você chega, como eu no ano passado, com uma porcentagem de chance de vitória, mas não como aquela de antigamente, talvez seja uma decepção.AE - Michael Schumacher, em algumas ocasiões, declarou preferir que os filhos se dedicassem a esportes não tão perigosos como o automobilismo. Como você pretende lidar com esse assunto na família?Rubinho - É difícil falar. Ele (Eduardo) andou de kart há umas três semanas. Eu me senti mais tranqüilo vendo-o no kart do que subindo em uma árvore esperando cair. De uma certa forma, está meio no sangue. Ele sabe todos os pilotos, ele sabe os capacetes, mas eu não tenho certeza se isso vai levá-lo a ter o espírito da velocidade.AE - Você vai mudar para a BAR ano que vem. Essa mudança tem a ver com a idéia de deixar um legado vitorioso para seus filhos? Rubinho - Não. Eu fui, digamos assim, até egoísta no sentido de realização própria. Eu não imponho limites na minha carreira. Acho que foi para eu realizar o meu sonho após seis anos de Ferrari. Não tinha condições de eu, sendo o "número 2" como todo mundo chamava, ganhar com o Michael na mesma equipe, porque tudo é - apesar de o tratamento ter sido 50%, principalmente nesse tempo final - muitovoltado para que ele possa fazer bem. Então, eu vi uma chance melhor na BAR do que na própria Ferrari. A mudança foi em cima disso. O fato egoísta foi no sentido de eu não de pensar em deixar um legado para os meus filhos. Prentendo ganhar uns dois campeonatos do mundo, o Eduardo ganha mais uns sete e os Barrichello ficam com nove... Acho que está bom (risos).AE - Você vai entrar para uma equipe que foi moldada para o Jenson Button. Há uma certa preocupação com alguma dificuldade inicial de adaptação?Rubinho - Não há. Acho que, na verdade, a equipe foi moldada ao redor do (Jacques) Villeneuve, quando ela começou. O Button foi até secundário nesse negócio. Então, de uma certa forma, não. Eu vejo uma força vontade muito grande por parte da BAR e da Honda para que eles possam ser campeões. Foi por isso que a contratação veio. Não vejo uma ligaçãode time inglês com piloto inglês - falam muito dessa coisa - mas eu não vejo muito.AE - Apesar de estar na Fórmula 1 há muitos anos, você é um piloto requisitado, o que é raro em uma categoria onde a busca pelo novo é sempre constante. Como você explica esse fenômeno na sua carreira?Rubinho - Eu acredito que eu sou uma pessoa que se renova a cada momento. Acho que eu não parei muito no tempo e aprendi muito nas equipes por onde passei. Acho que sempre me renovei, nas minhas palavras, no meu jeito de guiar, no meu jeito de acertar o carro. Fui sempre renovando e buscando a perfeição. Eu tenho tenho a meu favor o lado da idade. Eu começei com 20 e agora com 33 ainda sou um piloto em idade ideal. No momento em que você acredita em si, a velocidade vem mais facilmente, faz menos esforço para ter a mesma velocidade. E também porque eu fui muito bem comparado com o Michael (Schumacher), que é considerado o melhor, e meus tempos sempre foram muito próximos, algumas vezes na frente.

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