Rubinho: sinto a vitória entre os dedos

Primeiro foi em San Marino e depois na Espanha. Nas duas ocasiões, Michael Schumacher roubou a pole position de Rubens Barrichello nos últimos segundos do treino. Mas neste sábado, na sessão que definiu o grid do GP da Áustria, nem Schumacher nem ninguém conseguiu melhorar a excelente marca de Rubinho: 1min08s082. O piloto brasileiro da Ferrari confirmou que atravessa a melhor fase da carreira e larga amanhã na primeira posição da sexta etapa do Mundial, no circuito A1-Ring. "Tudo pode acontecer, mas sinto a vitória entre os dedos", afirmou Barrichello.Michael Schumacher fez de tudo para, como nas duas etapas anteriores, estragar a festa do companheiro de Ferrari. Tentou até o carro reserva. Mas desta vez não deu. E pior: viu seu irmão, Ralf Schumacher, da Williams, superá-lo. Ralf larga em segundo, com 1min08s364, enquanto Schumacher é o terceiro, 1min08s704. "Não tive nenhum problema no carro, apenas com o tráfego e um erro que cometi. Mas devo dizer que Rubens fez um excelente trabalho", elogiou o alemão.Os ensinamentos de Ímola foram determinantes para Barrichello conquistar a quinta pole da carreira, a primeira com o asfalto seco o tempo todo. "Saí para minha última tentativa (quando registrou sua melhor marca) tendo em mente que o Michael poderia me superar e tentei tirar tudo mesmo do carro", revelou ele. Curiosamente, o treino da manhã sugeriu que Schumacher não teria adversários na luta pela pole. Além da primeira colocação na sessão, seu tempo havia sido 713 milésimos de segundo melhor que o de Barrichello. "Eu estava mais preocupado em encontrar a forma ideal de usar os pneus na classificação", explicou o brasileiro. A estratégia acabou dando certo. ?Usei na definição do grid pneus já com algumas voltas na frente e novos atrás", contou. Outra novidade foi a volta em que ele obteve o seu melhor tempo: a segunda. Barrichello completou uma volta lançada e na segunda, fato raro na Fórmula 1 de hoje, superou seu próprio tempo. "Eu também tentei a mesma coisa, mas errei na primeira tentativa e na segunda havia muito carro na pista", reconheceu Schumacher.Quando perguntado se a elevação da temperatura, não esperada neste sábado (23 graus), poderia tirar um pouco da vantagem da Ferrari na corrida de amanhã, em razão da maior adaptação dos pneus Michelin da Williams e McLaren ao calor, Barrichello falou: "Estou ainda mais confiante com relação à prova (71 voltas) do que estava quanto à definição do grid. A Bridgestone produziu um pneu que é não só rápido mas também constante." Por fim, o brasileiro saiu em defesa de Schumacher, ao tentar diminuir a importância de ter se classificado 622 milésimos na frente do alemão. "Ele teve problemas. Não conseguiu tirar tudo do carro, havia muito tráfego." Apesar do belo desempenho, Barrichello sabe que a preferência na Ferrari é e continuará sendo para Schumacher. Por isso, neste domingo o carro reserva será do alemão, assim como se, na pista, o brasileiro estiver na frente e Schumacher imediatamente atrás, ele terá de dar passagem ao companheiro, como fez nesse mesmo circuito ano passado, quando era segundo e o alemão terceiro.Ralf Schumacher expressou surpresa com a diferença de "apenas" 282 milésimos para Barrichello. "Depois do que vimos nas últimas corridas, não imaginava que fôssemos ficar tão próximos." A Williams tem uma nova asa dianteira, além de uma série de pequenas modificações, mas Ralf disse que os pneus Michelin foram muito bem. "O calor nos ajudou. Prefiro o tempo quente", falou rindo.Os outros dois brasileiros na Fórmula 1 realizaram, como Barrichello, ótimo treino. Felipe Massa, da Sauber, larga em sétimo, 1min09s228. Mas ele estava furioso após a sessão classificatória. "De novo dei azar. Eu estava dois décimos de segundo mais rápido, o que me daria a quinta colocação, e de repente meu carro saiu de traseira numa curva de alta e perdi tudo." Já Enrique Bernoldi, da Arrows, obteve sua melhor colocação até aqui, ao conseguir o 12º tempo, 1min09s723. "Estou frustrado. Tinha carro para ir mais à frente no grid." O tráfego, um problema maior nos 4.326 metros do circuito A1-Ring, o atrapalhou.

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