'Rush' relembra duelo fascinante entre Hunt e Lauda

Filme dirigido por Ron Howard conta a história do épico confronto entre os pilotos pelo título da temporada de 1976

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2013 | 08h00

SPA - Na maioria das vezes, a filmagem romanceada de um episódio esportivo não agrada aos protagonistas da história quando eles se veem interpretados por atores na tela. Mas esse não é o caso do filme Rush, dirigido pelo premiado Ron Howard. O filme recorre a Niki Lauda e James Hunt, os dois personagens-chave de uma das temporadas mais emocionantes da Fórmula 1, a de 1976, e explora com fidelidade, segundo contou Lauda ao Estado, tudo o que ambos viveram naquele campeonato épico.

“Eu me reuni com Peter Morgan e seu grupo pelo menos 20 vezes. Passei o máximo de informações possíveis para eles fazerem o roteiro do filme”, disse Lauda, que, aos 63 anos, é diretor da Mercedes. “Ao mesmo tempo, Daniel Brühl, o ator que me representou, seguidamente falava comigo para entender como eu era na época.” Lauda avalia o resultado final: “Quem assistir ao filme vai ficar sabendo exatamente o que aconteceu naquele ano”. O austríaco não teve nenhuma participação no projeto a não ser ajudar os produtores a seguir a verdadeira história, rica em glamour, superação, irreverência, traição, sexo, abandono, solidariedade e devoção.

O próprio Lauda sofreu um grave acidente naquele ano, no GP da Alemanha, em Nurburgring, que iria recriar suas feições faciais (decorrência das queimaduras), além de lhe tirar o título certo do campeonato, vencido pelo playboy inglês, viciado em drogas e sexo, James Hunt, excelente piloto e um ser humano muito carismático. Ele faleceu em 1993, aos 45 anos, em decorrência do seu modo de vida bastante particular. O promotor do Mundial, Bernie Ecclestone, de 82 anos, disse ao Estado: “Eu me emocionei. É o filme mais bem feito sobre Fórmula 1 que já vi. Agradeci pessoalmente ao Ron pelo excelente trabalho”. Na época, além de conduzir comercialmente o evento, Ecclestone era o dono da equipe Brabham.

“É gostoso rever um período do nosso esporte que não volta mais. Os pilotos podiam ser eles mesmos, falar o que pensavam, ser espontâneos”, comentou. “Hoje, acho ridículo os pilotos atravessarem o paddock com uma assessora de imprensa do lado dizendo o que eles devem responder para a imprensa. Infelizmente, não tenho como mudar isso.”

O neozelandês Alastair Caldwell, de 70 anos, era o diretor da McLaren em 1976. Ele havia sido campeão do mundo com Emerson Fittipaldi na escuderia, em 1974. Era um homem muito próximo a Hunt. Na etapa final da temporada, em Fuji, Japão, sob forte chuva, havia a ameaça de os pilotos não começarem a corrida. Caldwell lembra bem o que fez naquele dia. “Sabíamos que Lauda tinha problemas com as pálpebras dos olhos por causa das queimaduras e aquele tempo chuvoso comprometeria ainda mais sua participação.” Contou mais: “Eu me aproximei de James e gritei: ‘Entre naquele carro agora! Você tem grande chance de ser campeão do mundo!’”.

E foi exatamente o que aconteceu: a terceira colocação e o abandono espontâneo de Lauda na segunda volta fizeram com que um inglês voltasse a ser campeão, o que não acontecia desde 1968, com Graham Hill. O austríaco não se arrepende até hoje de ter entregado o campeonato de 1976 de presente a Hunt ao encostar sua Ferrari nos boxes de Fuji. “Era o combinado entre nós, pilotos. Mas nem todos cumpriram.”

Na temporada seguinte, Lauda seria campeão pela segunda vez – a primeira havia sido em 1975, também pela Ferrari. Em 1984, depois de parar e regressar à Fórmula 1, desta vez pela rival McLaren, ele conquistou o Mundial pela terceira vez em sua carreira. Um pouco dessa trajetória notável está documentada em Rush, que entra em cartaz no dia 13 de setembro.

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