Saiba qual é o custo de um Fórmula 1

Durante a disputa do GP da Austrália, a questão da limitação dos custos das equipes de Fórmula 1 ganhou importante espaço nas discussões entre seus diretores. Mas quanto custa, de verdade, cada componente de um carro de F-1? Quando o assunto é dinheiro, todo mundo é surdo e mudo nos autódromos. Mas ao se recorrer a alguns fornecedores de componentes, fontes desses mesmos times e até a um relatório detalhado, elaborado pela Williams e já divulgado, em parte, pela imprensa italiana, fica fácil compreender por que o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, quer de todas as formas impor limites para esses gastos. A própria F-1 corre riscos se não se adequar à nova realidade econômica mundial. A restrição ao uso de motores defendida por Mosley, por exemplo, dá bem uma idéia da dimensão das despesas de uma equipe de ponta. Segundo o relatório da Williams, um motor, considerando-se o custo de projeto, produção, testes, desenvolvimento, transporte, enfim tudo, não sai por menos de US$ 265.500. Sua vida útil nada tem a ver com os dos veículos de série: 400 quilômetros, pouco mais dos 305 quilômetros de um GP. Cada fornecedor de motor leva para as pistas 10 motores por fim de semana de corrida. Em geral, um piloto utiliza-se de três unidades de sexta-feira a domingo de prova. Como são dois os pilotos e um motor, na média, costuma apresentar problemas, sete unidades são consumidas no fim de semana. Ao preço unitário de US$ 265.500, o fornecedor gasta, portanto, US$ 1.858.500, ou seja, quase dois milhões de dólares. Se for levado em conta que o campeonato tem 17 etapas e cada escuderia de ponta percorre por ano, em treinos, distância equivalente a outra temporada, no mínimo, chega-se à conclusão, procedente, de que empresas como BMW, Fiat, Mercedes, investem US$ 31.594.500 nos GPs e quantia semelhante para cobrir os treinos particulares, elevando suas despesas para impressionantes US$ 63 milhões e 200 mil dólares anuais. Uma fonte diz que a soma se aproxima da verdade. "Nosso orçamento é cerca de 15% superior." Tudo isso para não sair dos motores. Os monocoques constituem outra fonte importante de gastos para as equipes. O monocoque é o componente central de um carro de F-1. Ele incorpora o cockpit, o tanque de combustível e na sua porção frontal são conectadas as suspensões dianteiras. Construído em fibra de carbono, kevlar e nomex, custam US$ 129.600, segundo o estudo preciso da Williams. Na média, são produzidos 8 ou 9 monocoques por ano, gerando um custo total de US$ 1.166.400, no caso de nove unidades. Um piloto perdeu o controle do carro e ao tocá-lo na barreira de pneus danificou o aerofólio traseiro. Esses componentes estruturais, quando atingidos, não mais são usados por razões de segurança. Levando-se em conta os custos de desenvolvimento em túnel de vento, do material utilizado, a mão de obra etc, o aerofólio traseiro sai por US$ 21.613,00. Outros preços de componentes isolados ajudam a explicar as razões de a F-1 ser considerado o esporte mais caro do mundo: volante, que no caso da F-1 incorpora o painel, US$ 72,045,00; câmbio, US$ 93.659,00, cada equipe produz em média 8 unidades por ano. Mais: um pneu custa US$ 750,00, segundo a BAR paga para a Bridgestone; uma roda sai US$ 4.322,00; um jogo de pastilhas de freios, US$ 2.881,00; a pedaleira, que na F-1 só tem acelerador e freio, US$ 1.440,00; o assoalho, em fibra de carbono, US$ 1.208,00; o sistema de telemetria, US$ 115.272,00. O custo total na temporada chega a US$ 165.996.000,00, ainda que existam algumas despesas não relacionadas.

Agencia Estado,

01 Março 2002 | 17h11

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