Saída da Honda abala a Fórmula Indy

O anúncio da saída da Honda da Fórmula Indy, feito na última sexta-feira, já era esperado. Mesmo assim, a notícia caiu como uma bomba nos bastidores da categoria. Não só pelo rompimento em si, válido a partir de 2003, mas pela forma como ele foi feito, com ataques pesados à Cart, a entidade que controla a Indy.Entre as razões apontadas para a saída da categoria, a Honda alegou ?falta de confiança? na Cart. Mais do que isso, seus dirigentes criticaram abertamente a administração da entidade, que teria desrespeitado o seu próprio regulamento ao banir os motores turbos e adotar os aspirados a partir da temporada de 2003 ? a montadora exigia pelo menos dois anos para se preparar para esta mudança.Enquanto isso, a Cart evitou polêmicas ou respostas às críticas. Tratou apenas de lamentar a saída da Honda. Na verdade, essa foi a tônica do discurso dos pilotos e donos de equipes.Atualmente, a Honda fornece motores à quatro equipes (Penske, Fernandez Racing, Green e Mo Nunn). Todas fizeram questão de elogiar a montadora e disseram confiar no seu trabalho na próxima temporada, apesar de ser a última em seus 10 anos na Indy.?No momento, ninguém sabe muito bem o que vai acontecer. Estou muito triste com a saída da Honda e acho que alguma coisa teria de ter sido feita para ter evitado isso?, lamenta o piloto mexicano Adrian Fernandez, que também é dono da sua equipe, a Fernandez Racing.?A única coisa que sei é que a Honda estará com força total em 2002, para sair da categoria com o título?, avalia o norte-americano Michael Andretti, da Green, esperando se aproveitar disso para ser o campeão no ano que vem.Além da saída da Honda, a Indy teme o que pode vir a seguir. Afinal, a Ford é outra que, nos próximos dias, deve anunciar o fim do seu ciclo na categoria. Com isso, restaria apenas a Toyota, que também não está muita certa da sua permanência. A saída seria buscar novas montadoras, mas as críticas da Honda podem desencorajar novos investimentos.?O ano que vem vai ser crítico para a categoria. Vamos ver como a Cart irá reagir às estas mudanças?, prevê o brasileiro Tony Kanaan, da Mo Nunn.Roberto Moreno, da equipe Patrick (motor Toyota), é um dos pilotos mais experientes da Indy e acha que agora é o momento dar tempo para a Cart trabalhar em busca de novos fornecedores. ?Mudanças sempre acontecem. Resta saber se será uma mudança positiva ou negativa?, afirma o brasileiro, que é um dos poucos otimistas com relação ao futuro da categoria.A decisão da Honda está afetando até o mercado de pilotos. Agora que as vagas para a próxima temporada começam a ser definidas, tem gente que já desistiu de uma boa oferta de uma equipe equipada com motor Honda, com medo do futuro incerto a partir de 2003.

Agencia Estado,

14 de outubro de 2001 | 16h11

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