Carmen Jaspersen/EFE
Carmen Jaspersen/EFE

Saída de equipes explode maior crise na história da Fórmula 1

Equipes da Fota falam em criar novo campeonato para 2010 e a FIA reclama de que ela é quem dita as regras

ALAN BALDWIN, REUTERS

19 de junho de 2009 | 10h58

 SILVERSTONE - A Fórmula 1 mergulhou em sua pior crise em 60 anos nesta sexta-feira, após oito das dez equipes do campeonato anunciarem planos para romper com a categoria e montar uma competição paralela.

Veja também:

linkFIA vai recorrer à Justiça contra a Fota e a Ferrari

linkFerrari não comenta intenção da FIA de entrar na Justiça

linkFIA: equipes não podem ter direito a ditar regras

linkFota anuncia a criação de uma competição paralela

som PODCAST - Ouça: Livio Oricchio avalia a crise

tabela F-1: classificação do Mundial

especial Confira o calendário da temporada

especial ESPECIAL: jogue o Desafio dos Pilotos

A Associação das Equipe de Fórmula 1 (Fota) afirmou que BMW, Brawn, Ferrari, McLaren, Red Bull, Renault, Toro Rosso e Toyota estavam unidas em uma decisão que pode dividir o esporte em dois se for levada à frente.

"As equipes não podem continuar a fazer concessões sobre valores fundamentais do esporte e se negaram a alterar suas inscrições condicionais para o Mundial de 2010", afirmou a Fota em comunicado.

"Essas equipes, portanto, não têm alternativa a não ser iniciar a preparação para um novo campeonato, que reflita os valores de seus participantes e parceiros", acrescentou o grupo.

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estabeleceu um prazo até esta sexta-feira para as equipes confirmarem suas inscrições definitivas no Mundial, com o risco de exclusão em favor de novas escuderias.

A entidade mostrou decepção, mas não surpresa, com a decisão dos times e recusou-se a voltar atrás: "A FIA não pode permitir corridas financeiras no campeonato, nem pode permitir que a Fota dite as regras da Fórmula 1."

Os oito times que compõem a Fota fizeram inscrições condicionais para o campeonato de 2010 devido às novas regras propostas, que incluem um polêmico teto orçamentário.

Tentativas de ambos os lados de se chegar a um ponto comum falharam, com a FIA acusando as equipes nesta semana de pretenderem assumir o esporte.

Os chefes de escuderias disseram que a decisão agora está com o presidente da FIA, Max Mosley, e com o líder comercial da Fórmula 1, Bernie Ecclestone.

"Pode ser muito bem que Max Mosley tenha que sair", afirmou o tricampeão mundial Jackie Stewart.

A Fota disse que a nova categoria vai incentivar a entrada de mais equipes, ouvir os desejos dos torcedores e ter uma administração mais transparente.

Os times, que disputarão o Grande Prêmio da Grã-Bretanha no domingo, também prometeram "preços mais baixos para os espectadores em todo o mundo, parceiros e importantes investidores."

"Os principais pilotos, estrelas, marcas, patrocinadores, promotores e empresas historicamente associadas ao nível mais alto do automobilismo estarão todos na nova série", acrescentou a Fota.

A Williams e a Force India são as únicas equipes atualmente no grid que se comprometeram incondicionalmente com o Mundial da FIA, ao lado de três novas escuderia - Campos, USF1 e Manor - que ainda precisam construir os seus carros.

A FIA colocou algumas outras postulantes a vagas em espera, aguardando o resultado das conversas com as atuais equipes, embora algumas delas, incluindo a fabricante de chassis Lola, retiraram suas propostas.

Ainda não está claro se as novas escuderias, que se comprometeram a correr com o teto de 40 milhões de libras (65,59 milhões de dólares, ou R$ 128,5 milhões), desejarão participar de uma categoria sem equipes de glamour como Ferrari e McLaren.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.