Divulgação/Formula 1
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Prefeitura de São Paulo promete GP de F-1 sustentável e espera 170 mil pessoas em Interlagos

Adoção de medidas para reduzir os impactos ambientais gerados pela corrida no circuito é novidade para etapa brasileira do calendário 2021. Evento deve gerar cerca de R$ 700 milhões para a cidade entre serviços e comércio

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 14h49

Os responsáveis pelo Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, novo nome do GP do Brasil, prometeram uma corrida sustentável no dia 14. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o CEO do GP, Alan Adler, afirmaram que serão adotadas ações sustentáveis para reduzir o impacto ambiental gerado na pista. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, a 11 dias do evento, Nunes e seus secretários enalteceram a importância da corrida para a capital paulista, especialmente economicamente.

"Vamos compensar as emissões de carbono, reduzir o consumo de plástico em 60%, teremos uma estação de compostagem e, por fim, daremos oportunidades para as cooperativas da região reciclar e destinar os resíduos", ressaltou Adler. Formado em Economia, com MBA em Finanças, o empresário carioca é a nova cara por trás do GP de São Paulo. Ele tem experiência com eventos esportivos, bons contatos, mas é pouco conhecido no mundo dos motores. Assumiu o comando do GP no início deste ano para ocupar a função executada por Tamas Rohonyi ao longo dos últimos 30 anos.

"Tenho certeza de que o retorno vai ser maior do que o esperado", comentou Adler. Segundo o empresário, os fãs de Fórmula 1 podem esperar surpresas. "Vocês verão entretenimento como nunca antes", disse.

A prefeitura repassou R$ 20 milhões para a promotora realizar o evento nesta temporada. Também gastou outros R$ 10 milhões com reparos e ajustes no circuito. Houve uma degradação natural do autódromo, pois ele ficou fechado em 2020, ano em que a prova não ocorreu devido à pandemia de covid-19. Antes da entrevista, Nunes, Adler e outras autoridades deram uma volta de carro e pararam em alguns pontos do circuito, que receberá uma corrida de Fórmula 1 pela 39ª vez.

"Estou muito animado com o desafio. A cidade tem uma vocação muito grande para grandes eventos internacionais. Não poderíamos deixar de ter a continuidade da realização da Fórmula 1 aqui", disse o prefeito. "E agora enfatizando a marca de São Paulo. Vamos receber muito bem as pessoas e gerar 8 mil empregos. Torcemos para que os 20 mil restaurantes e 30 mil bares tenham bastante consumo. E que nossos shoppings estejam lotados, desde que vacinados e usando máscara", completou.

De acordo com Orlando Faria, secretário municipal de Habitação de São Paulo, a Fórmula 1 na cidade vai gerar cerca de R$ 700 milhões entre serviços e comércio, além de R$ 1,6 bilhão em imagem ao ano. Haverá espaço para publicidade da prefeitura na pista e arquibancada. Cada R$ 1 investido pelo governo renderá R$ 5,2, segundo a gestão municipal.

O contrato de renovação com a Prefeitura de São Paulo para realizar por mais cinco anos em Interlagos uma etapa do Mundial de Fórmula 1 foi firmado no fim do ano passado. Havia o temor de que a prova não acontecesse mais na capital paulista, mas sim no Rio. O acordo anterior era válido somente até o fim de 2020. Há a possibilidade de renovação por mais cinco anos.

Protocolos

O protocolo sanitário para quem for assistir à prova inclui a apresentação do comprovante vacinal com ao menos uma dose para os maiores de 12 anos. Menores de 12 anos poderão ver a corrida, mas terão que apresentar teste negativo, seja PCR (realizado até 48 horas antes) ou antígeno (24 horas antes). O uso de máscara será obrigatório.

Os ingressos foram esgotados, mas os organizadores abrirão um novo lote menor, com 1 mil ingressos, nos próximos dias. A expectativa é de que 170 mil pessoas lotem o autódromo ao longo dos três dias do evento. Nos três dias em 2019, ano da última etapa no Brasil, Interlagos recebeu 158.213 torcedores, maior público desde 2001, quando o local era maior e contou com a presença de 174 mil fãs.

O prefeito afirmou que a cidade de São Paulo chegou ao terceiro dia seguido com somente uma morte diária por covid-19. "Isso nos dá tranquilidade para caminhar a zero mortes. Talvez amanhã. São Paulo se vacinou e é a capital mundial da vacina. Uma cidade que não é negacionista e preza a vida das pessoas", comentou Nunes.

Na coletiva, o prefeito chamou de "aventura jurídica" a ação popular protocolada em julho na Justiça de São Paulo que pede a interdição do Autódromo de Interlagos devido à ausência de licenciamento ambiental, o que o Estadão revelou em dezembro do ano passado. A prefeitura já havia admitido não possuir o documento, mas alega que ele não é necessário porque Interlagos foi inaugurado antes da resolução de 1997 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que definiu autódromos como locais potencialmente poluidores.

Também estavam presentes na entrevista os vereadores Rodrigo Goulart e Gilberto Nascimento, Orlando Farias, secretário da Habitação, Edson Aparecido, secretário da Saúde, Marcos Monteiro, secretário de Infraestrutura Urbana, Aline Cardoso, secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Thiago Milhim, secretário de Esportes, e Alexandre Modonezi, secretário de Subprefeituras.

Competição na reta final

A prova brasileira - agora chamada de GP São Paulo, em vez do anterior GP do Brasil - foi adiada em uma semana neste ano. Seria realizada no fim de semana dos dias 5, 6 e 7 de novembro, mas foi postergada para os dias 12, 13 e 14 por causa do feriado do dia 15, segunda-feira. O evento será transmitido para 180 países e será a 19ª prova desta temporada de 2021.

O GP São Paulo será a última das três etapas do calendário da Fórmula 1 em 2021 a contar com a chamada "sprint race", novo formato do treino classificatório da corrida. Em 2021, o modelo já esteve no GP da Inglaterra, onde foi sua estreia, e na Itália. A sprint race é uma mini-corrida disputada no sábado, com um terço da duração da prova de domingo e que vale pontos para o campeonato.

Restam cinco Grandes Prêmios para o encerramento da temporada 2021. Antes do GP de São Paulo, os pilotos correm no México no próximo domingo, dia 7. Depois, há mais três provas no Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Na temporada, após 17 corridas, Max Verstappen lidera o campeonato mundial com 287,5 pontos, apenas 12 à frente de Lewis Hamilton, atual campeão.

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