Schumacher: alegria e drama em Ímola

Michael Schumacher, da Ferrari, e Ralf, seu irmão, da Williams, comemoraram discretamente, neste sábado, a pole position e a segunda colocação estabelecidas no circuito Enzo e Dino Ferrari. Mas pode até ser que os dois nem mesmo disputem neste domingo o GP de San Marino, em Ímola, Itália, quarta etapa da temporada. Sua mãe, Elisabeth, de 55 anos, está em coma em um hospital de Colônia, Alemanha. Eles voaram neste sábado para lá, logo depois do encerramento do treino que definiu o grid. "O quadro dela é muito grave", disse a assessora de Michael Schumacher, Sabine Kehm.O punho cerrado e os abraços distribuídos a todos na equipe deram bem a idéia de como Schumacher está encarando a corrida. Depois de ficar 16 pontos atrás do líder do campeonato e ser até criticado, tudo o que o alemão deseja é, diante da torcida da Ferrari, vencer pela primeira vez neste Mundial. Mas a Williams pode vir a ser uma dura adversária da Ferrari. Seu irmão só perdeu o primeiro lugar no grid porque cometeu um pequeno erro na volta lançada. Ficou a 14 centésimos de Schumacher, que fez 1min22s327. "É ótimo estar de volta à primeira colocação, especialmente aqui em Ímola. Resta saber apenas com quanta gasolina nossos adversários se classificaram." Para ele, pode ser que o bom resultado de Ralf se deva ao fato de estar com um pouco menos de gasolina no tanque da sua Williams. Juan Pablo Montoya, companheiro de Ralf, obteve o quarto tempo, a 462 milésimos de Schumacher. Schumacher entrou na sala de imprensa e depois de duas ou três perguntas a questão inevitável sobre o estado de sua mãe surgiu: "Não esperem nenhuma resposta", afirmou. Em seguida a coletiva foi encerrada. Ele e o irmão não participaram das reuniões com os engenheiros da equipe - elas continuam existindo mesmo com os carros no parque fechado, como agora -, foram apanhados no paddock ainda por um motorista com uma Maserati Coupé e transportados ao heliporto do circuito. De lá voaram para o aeroporto de Bolonha onde a tripulação do avião de Ralf os aguardava para levá-los até Colônia, distante uma hora e meia de vôo.A doença que acometeu a mãe dos pilotos não foi revelada. "É uma assunto particular", disse Sabine Kehm. A assessora deu uma explicação surpreendente: "Não há mudanças no seu estado nos últimos dias. Ela está internada desde a quinta-feira da semana passada e tanto Michael quanto Ralf passaram os últimos dias próximo dela, antes de viajarem aqui para Ímola." O que se comenta, e a informação deve mesmo proceder porque a imprensa alemã até já divulgou o fato em outras ocasiões, é que Elisabete consome doses elevadas de álcool, notadamente depois da separação do marido, Rolf, em 1997."Em princípio, a intenção de Michael é disputar a corrida amanhã (domingo)", afirmaram tanto Sabine Kehm quanto Jörg Kottmeier, da BMW, fornecedora de motor da Williams, referindo-se a Ralf. Mas se a mãe dos pilotos falecer as primeira fila do 23º GP de San Marino permanecerá vazia. Os dois melhores pilotos na classificação deste sábado não deverão disputar a prova. A meteorologia indicava, neste sábado, 70% de possibilidade de chover domingo à tarde. Apesar do favoritismo da Ferrari - Rubens Barrichello, da escuderia italiana, largará em terceiro -, as inúmeras variáveis introduzidas pelo novo regulamento tornam a disputa tão imprevisível quanto as três primeiras etapas do campeonato. A rede Globo transmite o GP de San Marino, que terá 62 voltas, a partir das 9 horas.

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