Schumacher atrai todas as atenções

Para a mídia alemã só existe um representante do país na Fórmula 1: Michael Schumacher. Por ter o mesmo sobrenome, seu irmão, Ralf, acaba ganhando também um pouco de espaço na imprensa. O monopólio de Schumacher nos jornais, revistas, TV, rádio e internet é tão grande que até as duas maiores empresas alemãs que investem mais de US$ 100 milhões por ano no Mundial, BMW e Mercedes, acabam esquecidas, para não se falar de Heinz-Harald Frentzen e Nick Heidfeld, os outros pilotos alemães.Não é fácil para quem não se chama Schumacher dividir o mesmo ambiente de trabalho com ele. Seus números na Fórmula 1 o colocam em primeiro em quase todos os parâmetros de desempenho ao longo dos 53 anos de história da competição. E os alemães, que apreciam o automobilismo, consomem tudo o que é relativo a seu ídolo e quase desprezam o restante. Para seus concorrentes, a superatenção da mídia ao piloto tem uma razão: "Seu impressionante sucesso", como diz Mario Thiessen, diretor da BMW, fornecedora de motor e patrocinadora da Williams. "Não é difícil compreender. Em todos os países, exceto a Itália, o grande herói é o piloto. Na Itália, é o carro, a Ferrari. Por isso é natural o que está acontecendo na Alemanha, que tem o maior piloto de todos os tempos."Nick Heidfeld, 24 anos, da Sauber, representa uma nova geração de pilotos alemães na Fórmula 1. Ele discorda de que a hegemonia de Schumacher no Mundial possa comprometer seu futuro. "Eu realmente não me importo com isso, estou aqui para correr e não dar entrevistas", diz, respondendo o pouco assédio dos jornalistas alemães ao seu trabalho.A saída para "roubar" um pouco do espaço de Schumacher na imprensa é uma só, segundo Wolfgang Schatling, assessor de Norbet Haug, diretor da Mercedes: "Temos de voltar a fazer sucesso, superá-lo." Nas temporadas de 1998 e 1999, Mika Hakkinen, com McLaren-Mercedes, foi campeão. "Nós também tivemos grande destaque na mídia. Se começarmos a vencer novamente acontecerá o mesmo."O fato de eventualmente receber menos atenção da imprensa não significa "estar esquecido" lembra Monte Field, empresário de Heinz-Harald Frentzen. "Temos bem menos resultados que ele, mas continuamos recebendo todo o carinho da torcida, como o jantar de hoje à noite com o maior fã-clube de Frentzen." O próprio piloto alemão, hoje na Arrows, comenta conviver bem com essa polarização de interesse por Schumacher, seu ex-desafeto.Até mesmo os negócios, como encontrar patrocinadores ou empresas interessadas em criar parcerias, a exemplo do uso de imagem ou nome, acabam sendo favorecidos com a superdedicação da mídia a Schumacher. A argumentação é de Agnes Carlie, assessora de Nick Heidfeld. "Investir em Michael passa a ser muito caro. Se a empresa não dispõe dos valores necessários, outros bons pilotos alemães tornam-se excelente opção." Heidfeld divulga várias marcas e é bastante conhecido no país.

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