Schumacher cada vez mais motivado

Relaxado, solícito, e bem mais reflexivo e longo nas respostas. Esse foi o retrato de Michael Schumacher, hoje, na sua primeira entrevista do ano, na Itália, no tradicional encontro da equipe Ferrari com a imprensa internacional. "Quando eu ganhei meu primeiro dinheiro como piloto, ao vencer na Fórmula 3, em Macau, disse a mim mesmo que se recebesse muito com as corridas eu dividiria com quem necessitasse", afirmou. Além das várias obras sociais que sustenta, doou US$ 10 milhões às vítimas do tsunami na Ásia, a maior contribuição individual. "Eu ganho muito e essa é a minha contribuição nesse processo", disse Schumacher, que fatura 65 milhões de euros por ano. "Controlarei com o governo alemão para que o dinheiro se destine, basicamente, à construção de escolas para crianças no Sri Lanka." O piloto mantém, sozinho, um hospital infantil em Sarajevo e participa, ativamente, dos projetos da Unesco, de quem é embaixador. Mesmo depois de vencer sete vezes o Mundial, Schumacher se declarou ainda mais apaixonado pela Fórmula 1. "Hoje eu a aproveito muito mais de quando comecei (1991). Conheço melhor as dimensões dos seus desafios." Foi curto ao responder para o companheiro Rubens Barrichello, que declarou, quarta-feira, que pretende batê-lo e ser campeão do mundo. "Adoro esses desafios." Na próxima semana, em Barcelona, voltará a acelerar o carro da Ferrari, mas o usado como laboratório para o modelo 2005, previsto para estrear apenas na quinta etapa do campeonato, o GP da Espanha, dia 8 de maio. Na próxima semana, a Ferrari fará o primeiro teste com o modelo F2004B, que será usado nas quatro primeiras provas da temporada. "A McLaren-Mercedes deverá ser nossa adversária desde a abertura do Mundial", prevê Schumacher. "Os demais times que podem nos enfrentar serão os mesmos de 2004, embora acredito numa maior aproximação deles." Como Rubinho, o alemão pensa que o novo regulamento irá exigir uma técnica bastante distinta dos pilotos. "Vamos ter de descobrir como manter os pneus em bom estado no fim das corridas." Este ano, os pilotos terão apenas um jogo de pneus para a classificação e a corrida. "Experimentei, em outubro, nosso carro com os pneus deste ano e vi que não poderei fazer uma série de coisas que faço, como forçar uma determinada reação, nas curvas rápidas, para ser ainda mais veloz." Isso comprometeria os pneus e seu resultado, explicou. "Será mais divertido pilotar, confesso que estou ansioso para o início do campeonato." De novo negou pensar em aposentadoria, mas inovou na resposta: "Tenho 36 anos e não mais farei contratos longos. Meu compromisso com a Ferrari termina no fim de 2006, depois disso assumirei ano a ano apenas, embora não me veja fora da Fórmula 1." Schumacher subiu as montanhas nevadas da estação de esqui de Madonna di Campiglio, terça-feira e hoje, pelas encostas, enquanto lá em cima a equipe de apoio da Ferrari o aguardava com esquis para a longa descida. Os jornalistas desejaram saber se a direção da Ferrari não se opõem às várias atividades de risco que se submete, como a dos últimos dias, seus saltos de pára-quedas e passeios de motocicleta, por exemplo. "Não só a Ferrari como minha família me apóia", contou. "As pessoas subestimam a importância dessas atividades no meu sucesso como piloto. É isso que nos ajuda a manter mais estimulados e concentrados." Amanhã o programa da Ferrari, planejado e bancado pela Philip Morris, dona da marca Marlboro, prevê competições de esqui e uma corrida de kart sobre um lago congelado, no meio da pequena cidade localizada na linda região dos Alpes italianos, próxima à fronteira com a Áustria.

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