Schumacher chora ao comemorar título

Sorte? Pode ser, ao menos neste domingo. Mas quando se observa que Michael Schumacher, com sua fantástica Ferrari F2002, venceu oito vezes este ano, em 11 etapas disputadas, e 61 vezes na Fórmula 1, a "sorte" no GP da França, onde conquistou seu quinto título mundial, diminui de importância à medida que cresce a competência do piloto. Apesar de dizer que o feito de Juan Manuel Fangio representa bem mais do que o seu, Schumacher igualou-se neste domingo argentino, outro mito da competição. Emocionado, Schumacher chorou, como fizera apenas quando empatou com Ayrton Senna em número de vitórias, 41, no GP da Itália de 2000.Na 68ª volta de um total de 72, Schumacher apareceu em primeiro, na frente do finlandês Kimi Raikkonen, da McLaren, líder até então. Só depois a TV francesa mostrou o que acontecera: Raikkonen perdeu a entrada da curva Adelaide, no fim da reta, por passar sobre o óleo da Toyota de Alan McNish, e Schumacher o ultrapassou. A combinação entre a vitória e a quarta colocação de Juan Pablo Montoya, da Williams, assegurava o título ao alemão. "De repente, me conscientizei de que poderia ser campeão aqui mesmo, o que em nenhum momento imaginei", disse Schumacher. "Foram as cinco voltas mais difíceis da minha vida. Senti meus ombros pesarem 100 quilos, fiquei confuso demais", disse."No início, o ritmo da McLaren e da Williams me fez acreditar que não ganharia a prova. Depois do meu primeiro pit stop, quando passei Montoya e fiquei em primeiro achei que daria até para ser campeão", contou. "Mas quando errei e cruzei a linha branca na saída do box, vi que o título ficou longe de novo. Errei porque Ross Brawn (diretor-técnico e estrategista) dizia no rádio Montoya vem vindo, vem vindo, e fiquei olhando no retrovisor." No fim, tudo mudou de novo, o campeonato caiu no meu bolso: "Eu estava acelerando tudo o que dava, quem sabe ainda desse certo. De repente, vi Kimi seguindo reto no fim da reta e voltei para primeiro." Essa alternância de emoções causou um certo distúrbio em Schumacher conforme ele mesmo relatou: "Quando recebi a bandeirada, coloquei tudo para fora, estava realmente emocionado, fora de mim." Como já fizera ano passado, ao ser bicampeão com a Ferrari, Schumacher repassou para a equipe boa parte do mérito da conquista. "Eu amo essa gente, Luca di Montezemolo (presidente da empresa), Jean Todt, os mais de 600 funcionários da fábrica, obrigado é pouco por tudo o que eles fizeram por mim." Lembrou depois que Ross Brawn, o diretor-técnico, e Rory Byrne, projetista, conquistaram com ele seus cinco títulos, dois pela Benetton, em 1994 e 1995, e os três com a Ferrari, em 2000, 2001 e o deste domingo. "Não concordo quando dizem que este foi o mais fácil, cada um tem um sentido especial para mim, não há o menos e o mais importante." Ser o primeiro em quase todos os rankings de performance não significa muito para o alemão. "Não corro por isso, mas pelo prazer que tenho. Meu desafio agora é conquistar outro campeonato. Gosto de vencer corridas, esse é o meu estímulo." Sua esposa, Corinna Betsch, só foi abraçar o marido uma hora e meia depois do fim da corrida, tantos os compromissos do piloto. "Corinna não é apenas a minha mulher, mas a melhor amiga também." Schumacher tinha os olhos marejados o tempo todo. Não havia nada programado pelo piloto e a equipe para comemorar a conquista do título. "Não sei. Vamos ver o que faremos. Conforme já disse, apenas a cinco voltas da bandeirada enxerguei a possibilidade de ser campeão." Montezemolo voou para Magny-Cours neste domingo mesmo para uma festa "em família", como a definiu. A vitória no GP da França, outra não participação de Rubens Barrichello, cujo motor da Ferrari sequer ligou no grid, e a não segunda colocação de Montoya, outra combinação de resultados que estenderia a definição do Mundial, levaram Schumacher ao título. A "sorte" do piloto número 1 da Ferrari ontem frustrou um pouco a torcida alemã, que esperava, domingo, comemorar em casa, Hockenheim, a conquista. "Aqui não vamos fazer muita coisa, mas nossos fãs podem esperar uma grande festa na Alemanha", falou o empresário de Schumacher, Willi Weber.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.