Schumacher continua dominando a F1

Os pilotos e diretores da Williams-BMW e McLaren-Mercedes, e até Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, esperam que o calor na Malásia, dia 17, na próxima etapa do Mundial, possa diminuir a assustadora vantagem técnica demonstrada pela Ferrari no GP da Austrália, disputado na madrugada deste domingo. Michael Schumacher venceu com tamanha facilidade a prova de abertura do campeonato, no circuito Albert Park, que já colocou em xeque o título de campeão. A maior eficiência dos pneus Bridgestone da Ferrari tem grande responsabilidade na diferença de 18 segundos imposta por Michael Schumacher, na bandeirada final, para Juan Pablo Montoya, da Williams, segundo colocado, e de 25 segundos para Kimi Raikkonen, da McLaren, terceiro, ambas equipes da Michelin. "A corrida aqui foi disputada com uma temperatura de 17 graus, enquanto na Malásia fará cerca de 37 graus. No calor, os pneus Michelin funcionam bem melhor", explicou Sam Michel, chefe dos engenheiros da Williams. Mas é também a argumentação e esperança do diretor esportivo da Mercedes, Norbert Haug, sócia da McLaren. "Por causa da dura concorrência entre os dois fabricantes de pneus, cada corrida terá sua história. Nesta, a vantagem foi dos nossos adversários." Ao mesmo tempo em que todos na Fórmula 1 ficaram impressionados com o ritmo imposto pelo time italiano em todo o fim de semana, sempre muito na frente, qualquer elemento que pudesse servir de justificativa para explicar o porque de a Ferrari, com o carro do ano passado, ter sido tão superior, acabou sendo utilizado pelos homens da Williams e da McLaren, escuderias que deveriam, no mínimo, lutar pela vitória com a escuderia de Maranello. "Confesso estar surpreso com a diferença imposta por nossa equipe", afirmou Michael Schumacher. "Eu pretendia estrear já a nova Ferrari por acreditar que com a F2001 nós não teríamos chances de vencer, já que Williams e McLaren estariam com seus modelos novos." Na 47ª volta da corrida - no total teve 58 -, o alemão estava a nada menos do que 30 segundos e 700 milésimos na frente de Montoya. Depois disso, passou apenas a administrar a vantagem. A pergunta que ficou no ar no GP da Austrália é se alguém, nas demais 16 etapas do calendário, poderá ao menos tornar as coisa menos fáceis para Michael Schumacher e a Ferrari, para a saúde emotiva dos que gostam de Fórmula 1. Montoya e Raikkonen transferiram boa parte dessa responsabilidade à Michelin. "Temos de torcer agora para que no calor as coisas se revertam", afirmou o colombiano. A 53ª temporada de F1 começou dando um grande susto em todo mundo. Na largada, o pole position Rubens Barrichello fechou o caminho de Ralf Schumacher, da Williams, para manter-se na frente, mas o alemão mensurou mal o instante de iniciar a frenagem da curva 1 e colidiu com violência na traseira da Ferrari do brasileiro. Além dos dois, seis outros pilotos ficaram de fora da prova por acabarem envolvidos no acidente: Giancarlo Fisichella (Jordan), Jenson Button (Renault), Olivier Panis (BAR), Alan McNish (Toyota), Nick Heidfeld (Sauber) e o brasileiro Felipe Massa, da Sauber também, que fez excelente estréia na F-1. Ninguém se feriu. O Safety Car entrou na pista, apesar de a maioria dos pilotos achar que o diretor de prova, Charlie Whiting, deveria ter optado pela sua interrupção. "Haveria mais segurança e a maioria poderia retornar à corrida com o carro reserva", avaliou Michael Schumacher. Na seqüência, o GP da Austrália teve as lideranças de David Coulthard, da McLaren, Jarno Trulli, da Renault, e de Montoya. Michael Schumacher havia caído para a quarta colocação na hora da múltipla batida. Mas ninguém se iludiu. "Sabia que para Michael me ultrapassar e ir embora era apenas uma questão de tempo", reconheceu Montoya. A manobra aconteceu na 16ª volta, na saída da curva 2, depois de o piloto da Williams atrasar demais a freada da curva 1, comprometendo a seguinte. Até ocorrer a ultrapassagem, os dois empolgaram a torcida. Durante várias voltas eles quase chegaram a se tocar. Foi uma disputa limpa e emocionante. Um clima de distensão estabeleceu-se entre ambos que, ano passado, trocaram acusações. Um GP com tantas desistências, logo na largada, abre margens enormes a resultados surpreendentes. O de Melbourne não foi diferente. Kimi Raikkonen, da McLaren, apesar de ter parado nos boxes para retirar pedaços dos outros carros que caíram nas suas costas, na largada, e necessitar trocar o aerofólio dianteiro, terminou em terceiro lugar, no primeiro pódio da carreira desse jovem e talentoso finlandês. Mas classificações inesperadas tiveram mesmo Jaguar, Minardi e Toyota. Eddie Irvine, da Jaguar, cruzou a linha de chegada em quarto, o estreante australiano Mark Webber, da reestruturada Minardi, terminou com um excelente quinto lugar, para delírio da torcida local, e Mika Salo, da também estreante Toyota, conseguiu uma brilhante sexta colocação. Confira a classificação final do GP da Austrália: 1º Michael Schumacher (Ferrari) - 1h35m36 2º Juan Pablo Montoya (Williams) - 1h35m558 3º Kimi Raikkonen (McLaren) - 1h36m01 4º Eddie Irvine (Jaguar) - a 1 volta 5º Mark Webber (Minardi) - a 2 voltas 6º Mika Salo (Toyota) - a 2 voltas 7º Alex Yoong (Minardi) - a 3 voltas 8º Pedro de la Rosa (Jaguar) - a 5 voltas

Agencia Estado,

03 Março 2002 | 10h26

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