Schumacher eleito esportista de 2001

Não poderia existir pior momento para o anúncio de que o ?Oscar do Esporte? é de Michael Schumacher, feito nesta terça-feira, em Mônaco, pela Laureus Sports World, onde será disputada a próxima etapa do Mundial de Fórmula 1, no dia 26. Também não poderia ser mais inoportuna a oficialização da entrada da Ferrari na Bolsa de Valores, confirmada hoje pelo presidente da empresa, Luca di Montezemolo. A imagem profundamente desgastada, no mundo todo, do piloto alemão e de sua equipe sugerem tudo, menos que possam ser premiados ou receberem investimentos. Ao menos agora. Para piorar o clima, a Fiat, dona da Ferrari, divulgou nesta terça-feira, na Itália, um prejuízo de US$ 476 milhões no primeiro trimestre.Dois dias depois de ser beneficiado com a ordem dada a Rubens Barrichello para deixá-lo vencer o GP da Áustria, Schumacher tentava explicar, nesta terça-feira, as razões da decisão da Ferrari. "A stallorder (ordem de equipe) não foi inventada pela Ferrari. No passado, várias equipes a adotaram assim como outros esportes." Enquanto o alemão se justificava no seu site, a Laureus Sports World anunciava que o piloto da Ferrari assumiu o lugar de Tiger Woods, escolhido pelo voto de cerca de 300 jornalistas, como o vencedor do prêmio de "Esportista do Ano", referindo-se à temporada de 2001. Mas para o homem que deveria colocar o esporte acima de qualquer suspeita, a política da Ferrari é correta. "Se um piloto demonstra nas primeiras etapas que tem chances de ser campeão, então toda a equipe deve trabalhar para que ele se mantenha com possibilidades. No ciclismo também é assim."O promotor do GP da Áustria, Hans Geist, vê a filosofia da Ferrari de forma diferente. Ele pediu à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), onde dia 26 de junho os dirigentes da escuderia italiana e seus pilotos irão depor, "punição exemplar" a todos. Geist definiu o ocorrido em Spielberg como um desastre. "O público sumirá dos autódromos." Luca di Montezemolo disse não estar preocupado com a investigação da FIA. "Outras equipes já agiram assim no passado, como a McLaren, no GP da Austrália de 1998, em que David Coulthard permitiu que Mika Hakkinen o ultrapassasse para vencer."As dificuldades financeiras da Fiat, confirmadas nesta terça-feira, e a iminência de perder em 2006 o patrocínio da Philip Morris, que expõe nos carros de Michael Schumacher e Rubens Barrichello a marca Marlboro, sem dúvida tem relação com a abertura de capital da Ferrari e da Maserati, empresas do grupo italiano, anunciada também hoje pelo seu presidente de honra, Giovanne Agnelli.

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