Schumacher frustrado pelo 2º lugar

Na corrida mais espetacular da temporada, neste domingo, Michael Schumacher não venceu, como já havia feito 12 vezes este ano. Foi apenas segundo no seu circuito favorito, Spa-Francorchams, na Bélgica. Mas conquistou seu sétimo título mundial. Sua reação de certa frustração deu a entender que a vitória seria mais importante que o campeonato. Kimi Raikkonen, da McLaren, ficou com a vitória, enquanto Rubens Barrichello deu um show, ao cruzar em último na segunda volta e chegar em terceiro. "Cada conquista tem um significado", disse Schumacher. Como não esboçava um sorriso sequer, respondeu ao ser questionado: "Não estou triste, garanto, apenas pensativo." Não exultou em nenhum instante diante da imprensa, como se nada tivesse ocorrido. Por nada compreenda-se, por exemplo, estabelecer o recorde histórico de títulos seguidos, cinco. Juan Manuel Fangio ganhou o Mundial quatro vezes seguidas, de 1954 a 1957, cinco no total. Os números transformam o piloto alemão de 35 anos em um fenômeno, o primeiro em quase todos os parâmetros de performance. Mais uma vez falou da sina do número 7. "Vencer pela sétima vez o campeonato aqui em Spa, tem valor único para mim, assim como na corrida de número 700 da história da Ferrari é especial." Não escondeu desejar mais: "Claro que eu preferia ter sido campeão com uma vitória. Não foi possível. Ganhou o melhor hoje." As condições da corrida podem ser responsabilizadas pela ´derrota´. "O safety car entrou três vezes na prova e hoje está um pouco frio (19 graus). Tive enorme dificuldade com a temperatura dos pneus nas relargadas." Schumacher chegou a ficar em sexto (quinta volta), depois da primeira saída do safety car ao fim da terceira volta. "Tendo em conta a colocação que caí, o segundo lugar é motivo de satisfação. Acho que nós três temos de estar bem felizes por estarmos aqui hoje." Claramente ele se referia aos riscos dos muitos acidentes da corrida, sempre em elevada velocidade quando se trata de Spa-Francorchamps. "Festa? Não temos nada programado", respondeu. "Mas nada que não possamos programar já para hoje à noite." A Ferrari não divulgou o lugar onde as cerca de 80 pessoas que se deslocam a cada GP iriam se reunir neste domingo à noite para comemorar o título. Na Hungria celebraram o sexto Mundial de Construtores seguido, o 14ª da sua história. A Ferrari não sabe o que não é ser campeã entre as equipes desde 1999 e Michael Schumacher entre os pilotos, desde 2000. Informaram Schumacher que havia muita gente bebendo nas praças de Kerpen, sua cidade, a 120 quilômetros de Spa, para comemorar o resultado. "Eu também vou beber." Nessas ocasiões, junto da equipe, Schumacher mistura tudo e em quantidade. O que mais aprecia é uma grapa italiana, espécie de aguardente de uva, de elevado teor alcoólico. Embalo - Schumacher não tira o pé do acelerador. Quarta-feira treinará em Monza, visando a próxima etapa do Mundial, dia 12, no mesmo circuito, o GP da Itália. Não importa que não há mais o que desvendar em termos de conquistas na Fórmula 1. Não solicitar um descanso depois de todo o sucesso único deste ano é a maior prova de que só está na Fórmula 1 porque ama muito o que faz. É o seu grande prazer. Por isso, quando às vezes dá a entender que depois de 2006, quando se encerra seu contrato com a Ferrari, poderá continuar competindo, todos acreditam poder ser verdade. O apoio incondicional da família, da esposa Corinna, reflete-se diretamente no seu nível de dedicação, o que também explica sua excepcional eficiência que já entrou para a história.

Agencia Estado,

29 Agosto 2004 | 17h49

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