Schumacher não vai dar vez a Rubinho

Os diretores da Ferrari, Jean Todt e Ross Brawn, declararam desde a conquista do título, domingo no GP da França, que agora a prioridade é trabalhar para que Rubens Barrichello seja o vice-campeão. Ao que parece, esqueceram-se de avisar Michael Schumacher dos planos da equipe. Nesta quinta, no circuito de Hockenheim, onde amanhã começa a ser disputado o GP da Alemanha, o piloto cinco vezes campeão do mundo afirmou: "Eu procuro vencer mais do que perder, claro, especialmente neste circuito, onde meus recordes não são os melhores. Venci uma única vez aqui, em 1995, e espero agora conseguir minha segunda vitória." Não será na corrida mais esperada por Schumacher, a "etapa de casa", como a define, que Barrichello receberá do alemão algo do tipo semelhante ao feito por ele no GP da Áustria, ou seja, entregar a vitória pronta ao companheiro. Schumacher demonstrou nesta quinta maior determinação para vencer o GP da Alemanha, diante de 150 mil fãs, que para concluir o campeonato na prova de Magny-Cours, domingo. E se depender da torcida, caso seu ídolo tenha mesmo de cumprir alguma tarefa além de defender seus interesses, ela é a de não comprometer a prova do irmão, Ralf Schumacher, da Williams. A dobradinha dos irmãos Schumacher é o resultado mais desejado pelos alemães. "Tudo irá depender de como as coisas se desenvolverem na prova. Se eles mostrarem-se competitivos a exemplo da França, quem sabe", falou Schumacher, mas advertiu: "Rubens Barrichello fará de tudo para estar entre os primeiros e tem todas as condições para isso." O piloto alemão usou nesta quinta pela primeira vez um boné, ricamente confeccionado, comemorativo do seu quinto título. Na frente havia o logotipo de seu patrocinador principal, Deutsche Vermögensberatung, uma empresa que orienta investimentos, e os dizeres: "5 Times F-1 World Champion." Sua assessoria explicou que ele já está à venda no autódromo, ao preço de 25 Euros. "Desse total, 1 Euro por unidade será doado à associação alemã Pão Contra a Miséria", explicou Sabine Kahn, a assessora. O piloto contou que o dinheiro se destina a nações africanas, com programas de profissionalização de jovens carentes.Comemorações - O início de semana de Schumacher foi cansativo. "Nossa festa pela conquista do título começou no domingo à noite e terminou apenas na segunda-feira cedo." A forma como os mecânicos e os engenheiros celebraram a vitória no campeonato foi o que mais o impressionou."Estavam em êxtase." Ele próprio comentou sentir-se envolvido no clima de euforia do grupo. "Tudo durou até que chegássemos em casa, segunda-feira, e víssemos as crianças. A partir daí nossa vida voltou ao normal", falou, referindo-se à esposa também, Corinna, o tempo todo com ele na França.A questão do estímulo, depois de tantas conquistas, voltou a ser abordada pelo piloto. "Relaxar não faz parte do meu estilo de vida e por outro lado exigir mais de mim será igualmente muito difícil." A partir de agora, continuará buscando o limite máximo, mas sem a pressão de antes do título. Novo traçado - No início da noite, Schumacher percorreu os 4.489 metros do novo traçado (o anterior media 6.825 metros) e disse ter gostado. "Nunca escondi que não gostava do circuito antigo porque era do tipo acelera e breca." Hockenheim representava um desafio pequeno, na sua avaliação. "Pude perceber agora que a reivindicação de existir uma curva lenta, depois uma longa reta e no fim dela outra curva lenta acabou atendida." Segundo o alemão, não deverá haver problemas para ultrapassar um adversário na nova pista por causa dessa característica.Nesta quinta choveu apenas no início da manhã, ao contrário do dia anterior, que em nenhum instante sequer deixou de cair água na região do circuito.

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