Schumacher: primeiro susto do ano

Como Michael Schumacher é obcecado por ser o primeiro em tudo, coube a ele dar o primeiro grande susto da temporada. Quando faltavam dois minutos para o encerramento da segunda e última sessão de treinos livres, hoje em Melbourne, as TVs da sala de imprensa colocaram no ar as imagens de um carro da Ferrari capotando em alta velocidade. "Lá dentro, nessa hora, fiquei esperando por um impacto forte, o que felizmente acabou não acontecendo. O carro parou na posição normal e sai sem dificuldades de dentro", disse o alemão.Na grande maioria das vezes, Schumacher é mais veloz que o companheiro de equipe. Tem sido assim na sua carreira. Mas quando ocorre de ele, por uma combinação de razões, ficar atrás do piloto com quem divide a escuderia, em geral se perde psicologicamente. Hoje, o tempo todo, desde os primeiros minutos do treino, de manhã, Rubinho estabeleceu melhores tempos que os seus. Resultado: o alemão saiu duas vezes da pista e na terceira por pouco não se feriu com gravidade.Ainda está um pouco atravessado na garganta de Schumacher o fato de a imprensa italiana ter dado enorme destaque à quebra do recorde de Mugello, dia 19, com o modelo F2001. Só que o responsável não foi ele, mas Rubinho. O alemão deu a sua explicação para o primeiro grande acidente do ano: "A equipe me avisou, via rádio, que na curva 5 os comissários agitavam a bandeira amarela. Eu estava numa volta muito rápida",contou."Ao me aproximar da curva, reduzi a velocidade e vi que já não havia mais a sinalização. Nessa hora, acelerei tudo na reta que antecede a curva 6", continuou falando. "Só que pouco antes de chegar lá, já a uns 260 km/h, vi as bandeiras amarelas sendo expostas pelos fiscais." Nessa hora, disse ele, a sua reação natural foi frear forte. "Pisei com demasiada força no pedal, de forma que a roda traseira esquerda lançou-se na direção da grama. Acho que fui rude com o volante também, o que colaborou para perder o controle do carro." A Ferrari seguiu reto, rodando, até atingir a caixa de brita. "Havia um degrau entre o fim do asfalto e o início da brita. Quando as rodas da minha Ferrari tocaram nele, fui para o ar." O piloto, um dos líderes da associação da classe, comentou que no dia anterior havia alertado a organização para o problema. "Eles não fizeram nada", afirmou. "Pedirei providências para a corrida." O acidente não deixou sequelas, nem físicas nem psicológicas."Quando se sabe com precisão o que aconteceu, é fácil esquecer tudo", declarou parecendo dizer a verdade. "O mais importante é que, conforme eu já havia me manifestado, temos um excelente carro este ano. Estou muito confiante quanto à corrida." Apesar de sua Ferrari não ter concluído a simulação de GP no último dia de treinos antes do embarque para a Austrália - quebrou o câmbio -, ele demonstrou não estar preocupado. "Fizemos mais de 4 mil quilômetros de testes, sabemos do nosso potencial." Rubinho obteve êxito na simulação.

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