Schummy vê título longe, mas não desiste

A cara de Michael Schumacher quando não conquista um resultado possível é padrão: séria, respostas monossilábicas para as perguntas da imprensa e vontade indisfarçável de que aqueles minutos acabem logo. Hoje não foi diferente. "Por que não substituí o pneu furado e voltei para a pista? Porque na volta seguinte aconteceria o mesmo com outro pneu", afirmou, dando a entender que os pneus estavam no limite. Na 44.ª volta, de um total de 66, Schumacher entrou nos boxes para trocar o pneu traseiro esquerdo, quase vazio. Era o terceiro colocado, depois de largar em oitavo. Três voltas depois, travou os freios no fim da reta com o pneu dianteiro esquerdo sem pressão também. A Bridgestone, sua fornecedora de pneus, nega que os pneus, em especial os esquerdos, não tenham resistido à enorme solicitação do Circuito da Catalunha, cuja maioria das curvas é para a direita. "Terminar no pódio, em terceiro, era realístico", disse Schumacher. "O título ficou distante, mas não irei desistir. Ao menos agora teremos menos pressão, estamos livres, não temos nada a perder." O piloto da Ferrari soma 10 pontos apenas, é o sétimo colocado, diante de 44 de Fernando Alonso, líder, da Renault. Desde que estreou na Ferrari, em 2000, Rubens Barrichello não sabia o que era não marcar pontos em quatro etapas seguidas, como agora. "A troca do meu motor, antes da classificação, me obrigou a largar lá atrás (16.º)", disse, menos crítico à Bridgestone que em Bahrein. "Interpretamos de maneira errada os dados levantados nos testes de Mugello para esta corrida", disse. "O desgaste de pneus, vimos hoje, foi bem menor do que pensávamos." Sua declaração propõe que a Bridgetone desenvolveu um pneu muito duro para o GP da Espanha, o que explicaria as dificuldades dos seus pilotos nas classificações e até durante as 66 voltas da prova. "Meus pneus poderiam disputar outro GP seu eu precisasse", disse Rubinho, em completa oposição ao que Schumacher sugere. Se a Ferrari está em queda, a Toyota é uma equipe em ascensão. Hoje obteve o terceiro pódio em cinco corridas, com Jarno Trulli, terceiro, e a boa quarta colocação de Ralf Schumacher. "Considero a prova de hoje uma das melhores da minha carreira", definiu Trulli, vice-líder do campeonato, com 26 pontos. "Trabalhei muito, o tempo todo, tanto que quando passei na arquibancada onde estava meu fã-clube, depois da bandeirada, bati com minha mão esquerda no braço direito, fora do cockpit, para eles verem, enquanto dizia, sob o capacete, em voz alta, aqui tem ó." A equipe japonesa está em segundo entre os construtores, com 40 pontos, e como no GP de San Marino, em Ímola, mais uma vez reduziu a diferença para a líder, Renault, 58. "Nesse ritmo podemos chegar ao final do Mundial como campeões", prevê Mike Gascoyne, o competente diretor-técnico da Toyota. O engenheiro não interveio até as voltas finais na disputa particular entre Trulli e Ralf. O alemão, que ganha bem mais que o italiano, queria de todas as formas ao menos uma vez terminar na frente do companheiro. Tentou até receber ordem (negada pela direção da Toyota) de ficar onde estava. Os dois poderiam bater, como quase aconteceu na 50.ª volta, a 16 da bandeirada.

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