Seis pilotos têm chances na Alemanha

Os dirigentes da Fórmula 1 não devem sequer lembrar-se qual foi a última vez que seis pilotos iniciaram uma etapa do Mundial com chances reais de vencer. Pois é o que está ocorrendo em Hockenheim neste fim de semana. "Nunca ganhei aqui com a Ferrari. Nosso carro este ano, porém, me permite sonhar com esse resultado", disse Michael Schumacher, embora reconheça em Ralf Schumacher, da Williams, um certo favoritismo. Já Mika Hakkinen, da McLaren, venceu em Silverstone, dia 15, e comentou hoje ter realizado "quatro dias excelentes de testes em Monza", semana passada, relançando a McLaren na disputa.Michael Schumacher e Rubens Barrichello, da Ferrari, Mika Hakkinen e David Coulthard, McLaren, e Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, Williams. A opinião é dos próprios pilotos: "Qualquer um de nós pode vencer", disse Ralf. Como 66% do tempo esses profissionais mantém o acelerador no seu curso máximo, nos 6.825 metros do rápido circuito, a Williams deve, na teoria, levar vantagem por dispor do motor de melhor resposta de potência da Fórmula 1, o BMW. "Na primeira seção do traçado, os pilotos permanecem 16 segundos de pé em baixo. Na segunda e terceira, cerca de 15 segundos", explicou o diretor da marca alemã, Mario Thiessen.Ele tentou tirar um pouco a responsabilidade da BMW: "Para um bom desempenho do time é preciso além de um bom motor, chassi, pneus e pilotos eficientes." O forte calor, 31 graus, e a previsão de tempo seco para sábado, durante a sessão que definirá o grid, e domingo, nas 45 voltas da prova, aumentam ainda mais as possibilidades de uma grande conquista da BMW, diante da concorrente Mercedes, sócia da McLaren. Mas Hakkinen demonstrou, pela sua tranqüilidade, que, a exemplo de Silverstone, a McLaren pode surpreender. "Não penso que será como lá, onde estávamos muito velozes, mas o treinamento de Monza provou que nesta pista, semelhante àquela, podemos lutar pela vitória também." Ralf procurou explicar que em Silverstone a Williams lhe "orientou" a permitir a ultrapassagem de Montoya e não o "ordenou" a dar passagem.Na realidade, houve até uma discussão entre ele e Patrick Head, diretor-técnico e sócio da Frank Williams, depois do GP da Grã-Bretanha, pela negativa de Ralf deixar o colombiano ultrapassá-lo, por estar mais veloz. Ralf terá de trabalhar em equipe em Hockenheim, que deverá receber cerca de 300 mil pessoas nos três dias de competição.Ricardo Zonta foi o piloto que mais entrevistas concedeu hoje. "Não vi Heinz-Harald Frentzen depois do ocorrido. Recebei um telefonema ontem de manhã e levei um susto quando me disseram que eu o substituiria." Eddie Jordan não lhe explicou os motivos do afastamento do piloto alemão, embora Zonta acredite que seja a "sua performance" nas últimas provas. "Disputar o GP da Alemanha será mais fácil do que correr no Canadá", afirmou.Em Montreal, ele assumiu o carro de Frentzen no sábado, em razão do alemão sentir ainda dores de cabeça decorrentes de um acidente em Monza e outro no próprio GP do Canadá, durante os treinos livres. "Aqui posso trabalhar o carro desde o primeiro dia e ir tomando confiança com a pista." A preocupação do brasileiro é com a sua falta de treinamentos com o modelo da Jordan ajustado para as sessões de classificação. "Em todos os nossos testes sempre há um volume considerável de gasolina no tanque."

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