Andrej Isakovic / AFP
Andrej Isakovic / AFP

Sem repetir o pai, Mick Schumacher sofre em início na Fórmula 1

Alemão filho do heptacampeão mundial não conseguiu somar um único ponto em oito etapas na temporada

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2021 | 23h00

A temporada 2021 marcou o retorno do sobrenome Schumacher à Fórmula 1. Cercado de expectativa, Mick ainda não conseguiu mostrar serviço nas pistas. Está longe do desempenho exibido pelo pai, Michael, em qualquer estatística, mas parte desta performance aquém do esperado pode ser atribuída ao fraco carro que pilota. Neste domingo, às 10h (de Brasília), o alemão terá nova chance de mostrar que tem talento no GP da Áustria.

Curiosamente, pai e filho estrearam na F-1 com a mesma idade: 22 anos. O heptacampeão mundial começou na categoria em 1991. Ele entrou na metade do campeonato e correu apenas seis das 16 corridas daquele ano. Com quatro pontos, foi o 14.º colocado geral entre 41 pilotos – um deles era Ayrton Senna, campeão da temporada.

Em 2021, Mick já disputou mais provas que o pai em 91. Após oito etapas, zero ponto. Figura no 18.º e antepenúltimo lugar. Se a comparação envolver o primeiro ano completo de Michael na F-1, os números se destacam mais ainda. Em 92, ele terminou em terceiro no campeonato de 16 provas, inclusive com uma vitória.

Para os especialistas ouvidos pelo Estadão, essa disparidade tem relação direta com a forma como cada piloto entrou na F-1. Michael fez sua primeira corrida logo pela Jordan, equipe mediana da época. Em seguida, foi para a Benetton, pela qual ganhou seus dois primeiros títulos, em 1994 e 95. Mick começou pela Haas, considerada a pior equipe do grid atualmente.

“Não dá para comparar. A Benetton era o que tinha de bom. Não era a primeira, mas devia ser a segunda. Seria melhor que a Ferrari hoje em dia, como se fosse a Red Bull do ano passado. O Michael nunca teve carro ruim”, afirma Tarso Marques, que disputou 24 corridas na F-1 entre 1996 e 2001.

“O carro do Mick é muito desequilibrado, nem dá para guiar direito. Aí fica difícil dizer se ele está indo bem ou não. O fato é que o Michael entrou pela porta da frente na F-1. E o filho entrou pela porta de trás”, diz Luciano Burti, outro contemporâneo do Schumacher heptacampeão. “Ter a sorte ao seu lado também é fundamental na-F1.

Os dois ex-pilotos da categoria são unânimes ao afirmar que Mick tem talento, mas não mostra o potencial de um campeão da categoria. “Posso dizer que ele é talentoso, mas não é brilhante com outros da sua geração, como o George Russell e o Lando Norris. Também são jovens e logo de cara mostraram uma velocidade diferente. Ainda não vi nada no Mick que possa dizer que é brilhante”, avalia Burti. “Ele é um piloto normal. Se eu fosse contratar um piloto, contrataria outro. Não é fenômeno”, opina Marques.

Mick chegou à F-1 após ser campeão da F-2, principal campeonato de acesso à categoria mais famosa do automobilismo mundial. “Ele tinha o melhor carro do grid. Mas quando começou a andar na frente, estava andando bem direitinho. Mesmo com o melhor carro, fazer pole e ganhar corrida não é para qualquer um. Parecia um pouco forçado quando ele entrou na F-2, por ser o filho do Schumacher, mas ele mostrou que tem competência”, diz Burti.

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