Irme Foldi/AP
Irme Foldi/AP

Sergio Perez, piloto amado e odiado ao mesmo tempo

Enquanto alguns elogiam seu estilo de pilotar, outros o consideram 'louco'

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2013 | 16h00

BUDAPESTE - É impossível para qualquer cidadão citar o nome do piloto mexicano Sergio Perez nos circuitos da Fórmula 1 e não ouvir reações do tipo: “Gosto dele, piloto tem de ser assim, assumir riscos”, como já se manifestou o promotor do espetáculo, Bernie Ecclestone. Mas quem mencionar o “Checo”, apelido de Perez, para Fernando Alonso, da Ferrari, considerado, hoje, o piloto mais completo da Fórmula 1, ouvirá: “É um louco, ninguém gosta dele, só a sua equipe, a McLaren”.

Em resumo, Perez é um piloto polêmio, para se afirmar o mínimo. E até o companheiro de McLaren, o campeão do mundo de 2009, Jenson Button, já se impressionou com seu ímpeto nas corridas, nas disputas de posições. No GP de Bahrein, quarto do calendário, Button pediu no rádio para o time mandar Perez se acalmar na tentativa de ultrapassá-lo. “É verdade, fui muito agressivo e poderia ter comprometido o trabalho da escuderia”, afirmou Perez em entrevista ao Estado, em Budapeste.

Quando o sinal vermelho apagar neste domingo, autorizando o início do GP da Hungria, Perez tem, essencialmente, uma missão maior em mente. E de forma alguma a esconde: “Não tenho carro para lutar pela vitória. E nessas circunstâncias meu único objetivo é tentar ser melhor que o meu companheiro, um campeão do mundo, piloto muito capaz”. O mexicano disse mais e, diante de suas palavras, fica claro por que quando se aproxima de Button ou o inglês dele se transforma num tigre raivoso na pista: “Se eu superá-lo significará que eu estou fazendo um bom trabalho. Jenson é a referência para julgarem o meu trabalho.”

O desgaste com Button foi resolvido dentro de casa. “Nos reunimos e estabelecemos algumas regras”, explicou Perez. Mas para pelo menos dois outros adversários, e de peso, como Alonso e mais um campeão do mundo, Kimi Raikkonen, Perez ainda está atravessado na garganta. Por bater na traseira da sua Lotus, em Mônaco, Raikkonen chamou Perez de “idiota”. O finlandês teve de ir para os boxes e terminou apenas em décimo.

“São críticas como as demais. Há quem admire meu estilo e quem o abomine. Eu estou aqui na Fórmula 1 para dar o meu melhor. As críticas não me afetam”, afirma o piloto da McLaren, parecendo não se importar mesmo com o que dizem a seu respeito.

Profissionais da Sauber, a exemplo do engenheiro Gianpaolo Dall'Ara, com quem Perez trabalhou em 2011 e 2012, dizem que o mexicano vive no seu próprio mundo. “É talentosísimo e um tipo muito focado, por vezes desligado do que o cerca.” Esse desinteresse por outras questões além da sua atividade nos autódromos faz com que nem todos o vejam com simpatia.

Na concorrência com Button, segundo Perez seu maior adversário, o inglês vence por melhor colocação no grid por 6 a 4, já computado o resultado de ontem, no circuito Hungaroring. E por classificação nas corridas a vantagem também é de Button, que até o GP da Alemanha, nono do Mundial, anterior ao da Hungria, somou 33 pontos diante de 16 de Perez.

Transferir-se da Sauber, uma escuderia do pelotão intermediário, para a McLaren, capaz de lutar por vitórias, criou imensa expectativa no país de Perez. Desde Pedro Rodriguez, no começo dos anos 70, o México não tinha um piloto com possibilidade de vencer uma corrida de Fórmula 1.

“Espero que a torcida entenda que se existe um carro que pode fazer uma curva a 20 km/h e o seu a 10 km/h, eu não posso tentar percorrê-la também a 20 km/h que vou sair da pista”, disse Perez. “Nosso carro não tem aderência.” Ele espera que ao menos parte da torcida compreenda as razões de não estar, como pensavam, brigando lá na frente nas provas.

Como muitos mexicanos, Perez, nascido em Guadalajara, há 23 anos, é religioso. “Rezo sempre antes de entrar no carro.” Carrega na delicada corrente de ouro usada no pescoço a medalha de um santo. “É de Cristo dos Milagres, muito popular no México.”

O contrato de Perez com a McLaren é de dois anos, portanto na próxima temporada continuará sendo o companheiro de Button. “2014 representará uma nova era para a Fórmula 1 e nós pilotos. Tudo será diferente com o novo regulamento, motor turbo, sistemas de recuperação de energia. E teremos de nos adaptar.”

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