Miguel Vidal/Reuters
Miguel Vidal/Reuters

'Sinto que estou no lugar certo e na hora certa', diz Grosjean

O francês chegou na F-1 em 2009 e se deu mal; voltou neste ano e já foi ao pódio duas vezes

Livio Oricchio, estadão.com.br

23 de junho de 2012 | 14h28

VALÊNCIA - Nas sete corridas que o suíço ou francês Romain Grosjean (escolha a nacionalidade, diz ele) disputou na Fórmula 1 em 2009, pela equipe Renault, em substituição a Nelson Piquet, não marcou um único ponto. A tentativa de Flavio Briatore de conseguir com Grosjean melhores resultados que com Nelsinho fracassou totalmente. E lançou sobre o francês uma imagem de derrota que pensava-se fosse definitiva.

Grosjean voltou para a GP2, no ano passado, e mostrou a mesma velocidade de antes mas com um diferença fundamental: constância. A maior maturidade o levou ao título e a ter, inesperadamente, nova chance na F-1, pela Lotus, ex-Renault. Agora, depois de sete etapas, Grosjean não apenas conquistou dois pódios, segundo no Canadá e terceiro no Bahrein, como está vencendo por larga margem o duelo de velocidade com o campeão do mundo de 2007, Kimi Raikkonen, seu companheiro.

O chefe de sua equipe, Eric Boullier, até já afirmou: “Vejo Romain como um futuro campeão”. Nessa entrevista exclusiva ao Estado, o piloto da Lotus de 25 anos, prestes a se casar com a bela repórter da TF1, a TV francesa na Fórmula 1, Marion Jollès, com quem já vive em Paris, contou como foi possível reverter o rumo da carreira radicalmente, não comum na história do automobilismo.

Como explicar essa diferença de rendimento entre a primeira e a segunda experiência na F-1?

Eu era muito jovem, o carro difícil, havia enorme pressão. Nessas condições o mais fácil é você se perder, como aconteceu. Teria sido muito importante as pessoas ao seu redor no time te ajudarem a crescer, manter os pés na terra. Não aconteceu nada disso. Agora a atmosfera é bem diferente, as pessoas do grupo querem realmente trabalhar, um estimula o outro, os 550 funcionários estão dando o seu melhor. Em 2009 eu estava no lugar errado, na hora errada. Hoje sinto que estou no lugar certo e na hora certa.

Não foram poucos que os que acreditaram que Raikkonen iria vencer sem dificuldades a disputa com você.

Estava no primeiro teste dele, em Jerez, depois de dois anos parado. Em cinco voltas Kimi já virava nos tempos esperados. Aprendo com ele, analiso os seus dados e vejo como eu posso melhorar. O relacionamento é bem aberto. É verdade que eu esperava produzir bem menos que ele no começo e, ao ganhar experiência, crescer. Começou melhor do que imaginava.

Até a sua própria equipe acredita que você pode ganhar corrida este ano. Pensa o mesmo?

Se você fizer disso uma obsessão, funciona contra. Acho possível chegar ao pódio, com já aconteceu quatro vezes com a Lotus este ano. Precisamos de um fim de semana perfeito, classificação e corrida muito eficientes para ganhar uma prova. Nosso carro é muito rápido em corrida, mas menos nas definições do grid.

A França não tem um piloto com potencial para ganhar corridas, como você, desde Alain Prost. Ao sair na rua, em Paris, as pessoas já te reconhecem?

Cada vez mais. Aqui no paddock também, a forma de tratamento já é outra. Gosto quando se aproximam de mim com educação, respeito, é prazeroso ver que está sendo reconhecido. Outros não agem dessa forma, mas faz parte. Lá em Paris é comum artistas bem famosos caminharem pela Avenida Champs-Elysées naturalmente.

Afinal, você é francês ou suíço? Na sua ficha aparece nascido em Genebra mas na nacionalidade, francesa.

O que você quiser. Nasci na Suíça francesa de pai suíço e mãe francesa. Construí minha carreira na França, kart e as demais categorias. Dizem que falo mais como suíço e ajo como suíço também pois sou sempre muito pontual, apesar de meu modo de viver, depois de tantos anos na França, ser mais de francês.

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