Só por milagre Vettel não será tetra no GP da Índia

Nunca um piloto teve condições tão favoráveis para levar o título antecipado do Mundial de Fórmula 1

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2013 | 09h35

NICE - Na história da Fórmula 1, não há registro de as condições para um piloto conquistar o título terem sido tão favoráveis como são as de Sebastian Vettel, da Red Bull, domingo, no GP da Índia. Por conta da sua competência, bem como da equipe, se apresenta para a corrida no circuito Buddh vindo de cinco vitórias seguidas e larga na pole position. Mais: com uma diferença de desempenho que não permite aos adversários sequer sonhar em batê-lo.

A lista de elementos a seu favor é extensa. Na simulação de corrida, nesta sexta, tanto ele quanto o companheiro de Red Bull, Mark Webber, quarto no grid, foram os mais rápidos e os que melhor demonstraram administrar os pneus médios e macios distribuídos pela Pirelli na 16.ª etapa do calendário. Esse pode ser o ponto chave da competição, os pneus. O desafio proposto pela Pirelli é grande. Vários pilotos optaram por se classificar com os médios, em vez dos macios, mais velozes, visando uma estratégia distinta para as 60 voltas da corrida. Nico Rosberg, da Mercedes, segundo no grid, afirmou: "A luta será pelo terceiro lugar. A Red Bull está invencível".

Vettel tem ainda bem mais a seu favor, como o histórico arrasador nos seletivos 5.125 metros da pista próxima a Nova Délhi. Nas duas edições da prova lá realizadas, em 2011 e 2012, largou na pole position e liderou as 60 voltas. Não teve adversários em ambas. E se for lançada sobre a mesa a matemática do título, o notável alemão de apenas 26 anos pode, de repente, até nem precisar terminar a corrida para fazer a festa. Os 90 pontos de vantagem na liderança do campeonato (297 - 207) obrigam Fernando Alonso, da Ferrari, vice-líder e oitavo no grid, a receber a bandeirada no GP da Índia em primeiro ou segundo, necessariamente.

Na hipótese de Alonso vencer, o que não ocorre desde o GP da Espanha, em maio, porque a Ferrari ficou para trás em relação a Red Bull, Mercedes e Lotus, basta a Vettel classificar-se em quinto. Alonso pode ainda ser o segundo colocado. Nesse caso o piloto da Red Bull comemoraria o tetra com o oitavo lugar. "É verdade que nossa condição é muito favorável para definir o campeonato. Mas não penso nisso. Até porque entre o início da corrida e a bandeirada há 60 voltas pela frente e tudo pode acontecer", disse Vettel, repetindo o discurso do GP do Japão, onde já teve um match point.

O Estado questionou Vettel, depois da prova de Suzuka, se ao ultrapassar Romain Grosjean, da Lotus, e assumir a primeira colocação, perguntou à equipe, no rádio, qual a posição de Alonso. Se o espanhol não estivesse entre os cinco primeiros Vettel seria tetra já no Japão. "Não", afirmou, com energia, o alemão. "Fui informado depois da bandeirada que Fernando havia sido quarto."

SUSPENSE ATÉ A BANDEIRADA

Será assim de novo amanhã. Não quer saber de nada antes do fim da corrida. Seu engenheiro, Guillaume Rocquelin, só lhe avisará o resultado final depois da bandeirada. O som do rádio estará liberado para a TV. Quem estiver assistindo à corrida no mundo inteiro poderá ouvir: "Yes, yes, yes, thank you boys, thank you boys, such a car you gave me again", gritará Vettel, ou "Obrigado, rapazes, vocês me deram um carro incrível de novo". Sua maneira simples e contagiante de celebrar já é bem conhecida por todos. Afinal são tantas conquistas. Além do esperado quarto título, são por exemplo 35 vitórias e desde ontem 43 poles em apenas 116 Gps. Alguém duvida que ele vai ultrapassar Michael Schumacher, com 68 poles?

Por tudo isso, para Vettel chegar em quinto e não depender de Alonso para ser tetra não representa desafio maior. Ao menos em condições normais. Será surpreendente se a definição do título se estender para a etapa seguinte do campeonato, o GP de Abu Dabi, uma semana apenas mais tarde, dia 3. Se nada de anormal acontecer no GP da Índia, a luta do segundo lugar para trás deverá repetir as fortes emoções da corrida de Suzuka. A adoção de diferentes estratégias para os pneus médios e macios da Pirelli representa uma variável importante e capaz de ser decisiva no final. Webber, quinto no grid, Kimi Raikkonen, da Lotus, sexto, Alonso, oitavo, Felipe Massa, Ferrari, sexto, Lewis Hamilton, Mercedes, terceiro, e Nico Rosberg, seu parceiro, segundo, devem proporcionar um belo espetáculo.

O rápido e arrojado Romain Grosjean, da Lotus, mais ainda. Por conta de um erro da equipe, não passou do Q1. Acreditou que seu tempo seria suficiente para passar ao Q2 mas não foi. Assim, começa a prova em 17.º. A largada daquele que deve ser o último GP da Índia será às 7h30, horário de Brasília. A previsão é de muito calor, 31 graus.

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