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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 17h00

A conquista na Stock Car do ano passado fez Rubens Barrichello se transformar de vitrine no maior adversário dentro da categoria. A prova de duplas em Goiânia, neste domingo, abre a temporada de 2015, aquela em que o piloto passa a ser encarado como o oponente a ser batido e não mais somente como o integrante mais famoso do grid.

O ano de 2014 marcou, além do título, as duas primeiras vitórias de Barrichello. A primeira delas, aliás, foi na Corrida do Milhão, exatamente em Goiânia. "Quando ganhamos a primeira prova, deu uma aliviada na equipe. Temos a tendência de melhorar no ano, mas sabemos que todas as equipes estarão mais fortes e querendo nos superar", disse Rubinho.

O vice-campeão de 2014, Átila Abreu, avisou que a luta pelo bicampeonato será bem complicada para Barrichello. "Ele vai sofrer tanto para ganhar de novo quanto já sofreu para ganhar o título. É complicado manter uma hegemonia. Tem pelo menos dez pilotos com chances de título", comentou o piloto. A última temporada foi a mais equilibrada da história. Oito pilotos chegaram à etapa final com chance de título. 

A expectativa é que a temporada repita o mesmo nível competitivo. "Temos 15 ou mais pilotos para ser campeão no fim do ano", disse Popó Bueno.

Aos 42 anos, Barrichello vai iniciar a terceira temporada na Stock Car e está cada vez mais à vontade. A adaptação ao carro complicou no início e os resultados começaram a aparecer conforme ele se acostumava ao ambiente. "A Stock Car é amistosa. Revi amigos de infância, como o Max Wilson, que foi meu vizinho, e fiquei mais perto dos fãs", contou.

Rubinho até dorme nas pistas, no motor-home comprado para viajar pelas etapas, é o mais procurado pelos torcedores para fotos e de vez em quando reúne os pilotos mais próximos em churrascos.

O mesmo clima de reencontro marca a etapa de abertura. A organização da categoria repetiu a fórmula do ano passado e cada piloto indicou um convidado, com quem vai trocar no comando do carro na metade da prova. "Esse formato ajuda a trazer para a Stock Car um público diferente e rende resultados tanto na pista como fora dela", explicou Maurício Slaviero, diretor da Vicar, empresa responsável pela Stock Car.

INTERNACIONAL

Para incrementar a prova de convidados, a categoria terá no grid 11 pilotos com passagens pela Fórmula 1, como o campeão de 1997 Jacques Villeneuve, e também sobrenomes famosos. O destaque será para a presença de Nelsinho Piquet, Bruno Senna e Nicolas Prost, trio de herdeiros de astros do automobilismo.

Para Nelsinho, que disputa a Fórmula E e é convidado de Atila Abreu, a Stock Car tem atrativos que justificam a vinda de estrangeiros. "A prova de duplas paga bem, é competitiva e é realizada em uma época do ano em que não bate com outras corridas", explicou. No ano passado o piloto também participou da etapa de abertura.

Até mesmo quem estava na Europa há oito anos preferiu voltar ao Brasil e ver na temporada completa pela categoria nacional um passo importante para a carreira. "Falta apoio para quem corre fora do País. Todas as empresas daqui ou do exterior estão investindo mais no Brasil", explicou o estreante César Ramos, de 25 anos, que tem passagens pela F-Renault 3.5, F-3 europeia e GT Series.

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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 17h00

Prestes a completar 28 anos, o piloto Átila Abreu está ansioso por nova temporada na Stock Car. O título passou muito perto no ano passado e o paulista garantiu em entrevista ao Estado que está preparado para desbancar Rubens Barrichello como o campeão da categoria.

Você foi vice-campeão no ano passado. Está ansioso pela oportunidade de uma revanche com Rubens Barrichello?

Ele é um grande piloto, um dos maiores que o Brasil teve. Ter competido com ele palmo a palmo no ano passado foi uma honra. Nós nos encontramos por diversas vezes na pista e tivemos várias disputas, mas sempre limpas e em alto nível. Disputar um título com ele foi gratificante. Temos vários pilotos em alto nível, como Ricardo Maurício, Thiago Camilo, entre outros. É uma categoria tão equilibrada que é realmente difícil ser campeão duas vezes seguidas. O Rubinho defende o título, mas ele vai sofrer tanto para ganhar de novo o quanto já sofreu para ganhar o outro. É complicado manter uma hegemonia. Tem pelo menos dez pilotos com chances de título.

Você investiu em alguma preparação diferente para o ano?

O ano da Stock Car é muito engessado e não dá para desenvolver muitas coisas. Como os carros andam muito próximos, temos às vezes 20 carros andando no mesmo segundo. O que a gente teve de mudança para este ano é o composto de pneus e de ajustes no carro, com algumas peças. 

E o que fez para aprimorar a sua preparação física?

Tentei aperfeiçoar algumas coisas em que sinto mais dificuldade no carro. Dentro dele é muito quente, com mais de 30ºC. Mas não fiz nada de muito diferente na parte física. Como as provas neste ano vão durar mais de 20 minutos, alonguei a duração dos exercícios para poder ter fôlego extra.

No ano passado a categoria foi bastante equilibrada e oito pilotos chegaram à última prova com chance de título. Isso deve se repetir?

Acredito que o equilíbrio vai se manter. Não sei se oito pilotos, mas a Stock Car tem nos últimos anos um histórico de ter diferentes vencedores ao longo da temporada. Com esse regulamento em que da primeira para a segunda bateria você inverte o grid, faz com que mais pilotos tenham chances de ganhar a corrida, mais pilotos acompanhem. O campeonato pode ficar mais equilibrado. Em termos de competitividade, temos um número grande de pilotos buscando vitória.

O que acha da ideia da prova de abertura ser novamente em duplas e com pilotos convidados?

É muito interessante, divulga muito a Stock Car pelo mundo, com pilotos desconhecidos e famosos. Isso traz bastante exposição para a categoria. Mas não é muito diferente. Geralmente corremos sozinho, é uma prova só. É preciso achar um acerto que atenda aos dois pilotos, não se pode fazer algo exclusivo. É algo bem diferente, uma prova bem movimentada. Estive na Europa recentemente e muita gente me perguntava como é a categoria e as corridas. Então tem muito gente com curiosidade.

Novamente você terá Nelsinho Piquet como dupla na corrida de abertura. Há quanto tempo vocês se conhecem?

Conheço ele há quase uns 20 anos, desde a época do kart. A ideia de convidar o Nelsinho surgiu por ele ser um piloto muito rápido, experiente e por já ter passado em diversas categorias, tem a facilidade de se adaptar facilmente ao carro e às condições da pista. Ano passado ele correu junto comigo, foi muito bem e nos ajudou a conquistar um bom resultado no ano passado. O Nelsinho agrega muito e além de tudo é um Piquet, tem sobrenome história e passagem pela Fórmula 1.

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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

21 Março 2015 | 17h00

A Stock Car de 2015 aponta para uma transferência de gerações do automobilismo brasileiro. A categoria vê despontar uma nova ala jovem e reúne pilotos de variadas idades, inclusive até pai e filho.

Daniel Serra não era nascido quando o pai, Chico, disputou a Fórmula 1, entre 1981 e 1983. Na prova de Goiânia, o filho convidou o veterano, que tem três títulos da Stock Car, para ser a sua dupla na prova de revezamento. Na corrida em Goiânia, aliás, Chico vai reencontrar na pista Ingo Hoffmann, dono de 12 títulos na Stock Car, e antigo rival. 

Ingo, de 62 anos, é o piloto convidado de Rubens Barrichello e será o mais velho na pista. Enquanto isso, Felipe Fraga, 43 anos mais jovem do que o veterano, estreou no ano passado com duas vitórias e começa a despontar como nova sensação da Stock Car. 

Também continuam na categoria nomes experientes com passagens pela Fórmula 1, como Luciano Burti, Ricardo Zonta e Antonio Pizzonia, além de Bia Figueiredo, com experiência na Fórmula Indy. Outro grande exemplo da transição de gerações é a dupla Piquet e Senna. Respectivamente filho e sobrinho de tricampeões mundiais também aparecem como convidados na etapa, assim como o francês Nicolas Prost.

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