Stock Car: fotógrafo é enterrado

Num clima de profunda tristeza, mas resignação, foi enterrado nesta segunda-feira, em Campo Grande, Rafael Lima Pereira, o jovem fotógrafo de 19 anos que morreu atropelado domingo no Autódromo Orlando Moura, durante a oitava etapa do Campeonato Brasileiro de Stock Car. ?Fui oferecer ajuda aos pais e ouvi da mãe que seu filho morreu fazendo o que gostava. Ela me perguntou seu eu acredito em destino e disse que aquele era o do seu filho?, contou Nelson Pereira, presidente da Federação de Automobilismo do Mato Grosso do Sul.A polícia abriu inquérito ainda no domingo, logo em seguida ao fim da corrida, e agora recolherá depoimentos dos envolvidos. O piloto Gualter Salles, cujo carro foi o que acabou tocando no fotógrafo, e o diretor de prova, Carlos Montagner, já foram ouvidos. ?O mais incrível é que 10 ou 12 voltas depois de tudo o que aconteceu, um cinegrafista que estava próximo de onde ocorreu o acidente, mas atrás do guard-rail, atravessou a pista e ao ser abordado por um segurança o empurrou?, disse nesta terça-feira, já em São Paulo, Montagner. Para Nelson Pereira, ainda que tenha mesmo havido imprudência do jovem, por ter ultrapassado a barreira de pneus, tragédias como essa sempre levam à reflexão sobre o que se pode fazer para melhorar a segurança como um todo. Mas comentou não concordar com as críticas de alguns pilotos quanto à falta de segurança do circuito. ?Nossas áreas de escape estão entre as maiores. Nos pontos onde não há guard-rail existe um barranco e barreira de pneus.? Para a próxima etapa da Stock Car, dia 28 no Rio de Janeiro, os padrões de segurança serão os mesmos, adiantou Montagner. ?O importante é que todos os profissionais de imprensa se conscientizem de que invadir local proibido pode custar a própria vida.? Os comissários de pista, pela própria experiência, lembrou, não saem de trás da proteção dos guard-rails. Esse trabalho se restringe às equipes de resgate e atendimento médico, que se utilizam de veículos para isso.A última morte na Stock Car ocorreu no dia 8 de junho de 2001, no Autódromo Nelson Piquet, em Brasília. O piloto Laercio Justino acidentou-se no fim do treino e teve traumatismo crânio-encefálico. Montagner falou nesta terça que também na época prestou depoimento e depois não soube mais da sequência do inquérito.

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