Chris Fabbri/SBK
Chris Fabbri/SBK

SuperBike mantém preocupação com segurança dos pilotos como prioridade

Além da utilização de várias barreiras de ar, competidores são obrigados a passar por rígidos testes; final em Interlagos não teve acidentes graves

Eugenio Goussinsky, especial para o Estadão

20 de dezembro de 2021 | 05h00

A motovelocidade é um dos esportes de mais alto risco e, inclusive nas competições de maior repercussão, como a MotoGP, acidentes fatais acontecem. Na SuperBike Brasil, o objetivo tem sido evitar de todas as formas que isso ocorra, com medidas de segurança que busquem diminuir ao máximo o risco durante as corridas. Em todas as categorias.

No domingo, quando ocorreu a grande final da temporada, em Interlagos, o dia nublado, com garoa dispersa, obrigou a organização a utilizar seus procedimentos de segurança em relação ao risco da pista molhada. 

Quando necessário a prova era interrompida ou entrava o safety car até que, após uma análise detalhada, se constatasse a possibilidade da liberação para a sua continuidade.

"Em relação à segurança, a SuperBike é um dos únicos campeonatos que tem proteção de barreira de ar. Temos mais de 1 mil metros lineares de barreiras de ar. Em todas as etapas essas barreiras são montadas nos circuitos", afirma Bruno Corano, diretor da competição.

Corano conta que a organização não tem medido esforços para montar toda essa estrutura, seguindo todas as diretrizes e se preocupando com todos os detalhes. Nos últimos anos, houve revisão de procedimentos, em parceria com a CSM (Comissão de Segurança da Motovelocidade a APM (Associação dos Pilotos de Motovelocidade), em decisões que ocorreram por meio de um amplo debate com especialistas em várias áreas.

"Só para operar a barreira de ar são cerca de 15 pessoas da produção. O que infla elas são os geradores, elas são montadas nas partes mais perigosas, em final de reta, em curva de alta e elas acabam salvando muita gente, vários acidentes de alta velocidade foram contidos, são barreiras muito eficazes", afirma.

Outro diferencial utilizado na SuperBike é a realização de testes. Corano conta que todo o piloto, para correr em qualquer uma das sete categorias, precisa obrigatoriamente passar por uma série de testes psicológicos, testes de reflexo, teóricos e práticos, avaliações de pilotagem e procedimentos de segurança.

Tais avaliações estão mais próximas aos testes da aviação, para pilotos de avião, com exigências vinculadas a um tipo de risco similar ao da motovelocidade, com o objetivo de acompanhar com detalhes quem pode estar com algum problema antes de algum treino ou prova.

"Além disso, há um psicólogo nosso que acompanha todas as etapas, todos os pilotos são obrigados a passar pelos testes", diz.

Na categoria SuperBike escola, voltada à formação de pilotos, há também um cuidado especial, segundo ele. Os pilotos estreantes precisam realizar um curso de pilotagem esportiva.

"É uma categoria que praticamente pega a pessoa que anda na estrada e a coloca na pista, são os pilotos mais amadores, que não passaram por aquela base, de menor para a maior cilindrada e foram evoluindo. São os proprietários de motos de mais altas cilindradas, utilizadas nas ruas. Então, para eles terem essa adaptação, há professores e instrutores, que os acompanham", observa.

Corano explica ainda que, em todas as corridas há uma série de briefings, com regulamento, medidas de segurança, técnicas de pilotagem, regras da corrida e procedimentos, como entrada de safety car.

"Em todas as categorias prezamos muito a questão da segurança, inclusive para o atleta amador que ingressa no mundo da motovelocidade. É um trabalho feito por toda uma equipe multidisciplinar, desde um regulamento sempre visando à segurança até a melhor capacitação dos médicos e de toda a equipe de resgate", completa.

Sem acidentes graves, a grande final da competição, que contou com sete corridas, em sete categorias (algumas divididas em subcategorias) terminou com os seguintes campeões:

Copa Pro Honda CBR 650R - João Vitor Carneiro, da Cajuru Racing (terceiro colocado neste domingo)

SuperBike Pro - Pedro Sampaio, da RXP/TRH Racing (segundo colocado neste domingo)

SuperBike Evolution - Joelsu Mitiko, da Controllity Racing (vencedor neste domingo)

SuperSport 600cc - Gustavo Manso, da Dezeró Racing (quinto colocado neste domingo)

SuperSport 400cc - Mauro Passarino, da Tecfil Racing Team (resultado da prova sub judice)

SuperBike Escola - Felipe Bittencourt, da PCM/PRT (vencedor neste domingo)

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