Dutch Photo Agency/Divulgação
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Surpresa na Fórmula 2, Felipe Drugovich supera favoritos e desponta como candidato à F-1

Paranaense de 20 anos conquista duas vitórias na temporada de estreia e arranca elogios de piloto da Williams

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 08h00

Um brasileiro de 20 anos e estreante na principal categoria de acesso à Fórmula 1 é a grande sensação do automobilismo no momento. O paranaense Felipe Drugovich conquistou na Fórmula 2 duas vitórias e uma pole position por uma equipe considerada intermediária do grid e começa a chamar atenção por um desempenho que nem ele próprio esperava. Com metade da temporada disputada, o piloto está em oitavo lugar na classificação geral.

Nascido em Maringá e descendente de austríacos, Drugovich mora na Itália junto com a mãe e é de uma família com tradição no automobilismo. Três tios já disputaram categorias nacionais. Quem teve mais destaque foi Osvaldo Drugovich Junior, bicampeão da Fórmula Truck na década de 1990. O jovem piloto começou no kart aos oito anos, acumulou títulos no Brasil e desde 2016 está na Europa. O grande salto na carreira veio neste ano, com a chegada à Fórmula 2, a antessala da F-1. Há, no entanto, uma distância grande entre correr bem na F-2 e abrir uma porta da categoria mais importante do automobilismo mundial. O garoto sabe disso.

"Eu esperava que pudesse andar bem e mostrar serviço. Mas isso depende de vários fatores, como se equipe está bem. Chegar de cara e ter duas vitórias na primeira metade de campeonato foi uma coisa muito satisfatória e inesperada", disse o piloto ao Estadão. Drugovich venceu na Áustria e na Espanha. No próximo fim de semana, a Fórmula 2 realiza duas provas na Bélgica, como evento suporte à prova da Fórmula 1. Ou seja, haverá donos de equipe e outros pilotos de olho nesses meninos. 

Drugovich chegou à Fórmula 2 após boa participação na Fórmula 4 em 2017 . Ele obteve títulos da Euroformula Open e da Fórmula 3 espanhola em 2018. O jovem traçou um caminho diferente do habitual hoje em dia para pilotos. Em vez de ser filiado a algum projeto de desenvolvimento das escuderias, as chamadas "academias", o brasileiro conseguiu manter uma trajetória independente e tem conseguido chamar a atenção nas pistas.

Campeão da F-2 em 2018 e atualmente na Williams, o inglês George Russell elogiou o desempenho do paranaense na Espanha. "Fiquei muito impressionado com Drugovich. Não o conheço muito bem, nem sobre sua trajetória. Sei que ele tem sido bem consistente, mas achei que sua corrida foi impressionante", afirmou. Drugovich disse que após os bons resultados neste ano, alguns contatos tiveram início. Nessa corrida, ele prefere ser mais seguro. Dá um passo de cada vez para não queimar etapas.

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Tem conversas com muitas pessoas (sobre F-1), mas nada confirmado. Se realmente for eu acho que pode ser, será mais um ano na Fórmula 2
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Felipe Drugovich, Piloto da Fórmula 2

"Há conversas com muitas pessoas (sobre F-1), mas nada confirmado. Se realmente for, e acho que pode ser, será mais um ano na Fórmula 2. Mas isso depende de mim, do financeiro, de oportunidades. A gente acabou de chegar na metade do campeonato, é muito cedo para pensar em F-1", afirmou. Com o oitavo lugar na temporada, ele conseguiu 25 pontos a mais do que o companheiro de equipe, o japonês Nobuharu Matsushita, e corre pela escuderia holandesa MP, considerada interdiária na categoria. Nos dois últimos anos, a MP não passou de um sétimo lugar no campeonato de construtores.

Drugovich corre na Fórmula 2 ao lado de dois outros brasileiros: Guilherme Samaia e Pedro Piquet, filho do tricampeão mundial Nelson Piquet. O mesmo grid da categoria tem outros sobrenomes conhecidos, todos de filhos de antigos pilotos com passagens marcantes pela F-1: o alemão Mick Schumacher é um deles. O outro é francês: Giuliano Alesi, filho de Jean Alesi, piloto com longa carreira na Ferrari.

Sem representantes na Fórmula 1 desde a saída de Felipe Massa, no fim de 2017, os brasileiros da Fórmula 2 torcem para encerrar esse intervalo. Além deles, há outros nomes do País cotados para serem promovidos. Sérgio Sette Câmara é piloto reserva da Red Bull e Pietro Fittipaldi ocupa esse mesmo cargo na Haas.

"Dá para ver essa gana do pessoal do Brasil de querer um piloto brasileiro na F-1. Isso poderia dar uma pressão aos pilotos, mas tento transformar em algo positivo. Se for para estar na Fórmula 1, é porque tenho capacidade. Prefiro pensar isso como um apoio", afirmou Drugovich.

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