Tamburello ainda fascina fãs de Senna

É comum as pessoas que vão ao autódromo Enzo e Dino Ferrari abaixarem a voz e nem mesmo conversar quando se aproximam da curva Tamburello, por dentro do Parco delle Acque Minerale. Hoje, quase sete anos depois da morte de Ayrton Senna, naquele local, as reverências e manifestações de carinho ao ídolo, ainda que bem menos numerosas, não cessaram. "Ele continua representando muito para nós", diz Ralf Könnel, do fã clube do piloto na Alemanha, surpreendido quando pendurava na cerca que separa a pista do parque fotos de Senna.O clima é meio que de uma igreja ao redor do pequeno santuário que se formou na cerca de metal no autódromo. São flores, pequenas faixas, cartazes, fotos, cruzes, enfim tudo que, de alguma forma remeta o depositante a Senna. Poucos sabem, no entanto, que o lugar exato onde correu a tragédia não é lá, mas a aproximadamente 200 metros mais para trás e do outro lado da pista. "Eu não tinha idéia disso", afirma Carlo Timpini, que com o filho, quase de colo, foi assistir ao treino desta sexta-feira e conhecer "o local onde Senna morreu."A curva Tamburello agora é um S de baixa velocidade e não mais um segmento percorrido em sexta marcha, a 300 km/h, sem aliviar o pé do acelerador. O muro em que a Williams se chocou no GP de San Marino de 1994 está agora protegido por várias fileiras de pneus e bem distante do leito do asfalto, pela alteração do traçado.Não é mais possível ver o ponto em que houve o choque. Os administradores do parque procuraram também descaracterizar o lugar, ao refazê-lo. Agora há belos jardins, um córrego que passa sob a pista, bem debaixo da Tamburello, playground e um imenso galpão coberto, aberto dos lados, para atividades culturais. Até a estátua em bronze de Senna foi deslocada mais para a frente, distante do ponto hoje adotado como o seu santuário.Gianni Berti, de Ímola, é um dos italianos que, regularmente, visita a curva Tamburello. "Sempre que me solicitam acompanho as pessoas que desejam conhecê-la", diz ele. "Semana passada fiz minhas preces próximo à cerca em companhia de uma grande fã de Ayrton." A parte baixa da estátua do piloto já dá mostras de desgastada pelo toque seguido de pessoas que buscam levar sua mão até algo que os ?conecte? fisicamente a Senna. Algo não distante do que ocorre, por exemplo, no Vaticano com a imagem de alguns santos. "É uma reação compulsiva", define Cristina Tavella, presente nesta sexta-feira no autódromo. Em seguida, a tocar a ponta de seus dedos na estátua, ela fez o sinal da cruz.As reações de recordação ao ídolo tornam-se mais escassas a cada ano mas ao mesmo tempo mais extremadas. Atualmente, há duas cercas altas separando o muro externo da pista, onde muitos imaginam que tenha ocorrido o acidente, do parque. Mesmo assim é possível ver pintadas na base desse muro frases em homenagem ao piloto. O que quer dizer que seus autores pularam essas duas cercas para chegar lá. "Nella mia testa ci sei ancora tu", ou Você ainda existe em minha mente; "Ceux qui ne toublierons jamais" ou Daqueles que jamais te esquecerão; "Keiner kann dir das wasser reichen, danke Ayrton", algo que poderia ser traduzido por Você é o melhor de todos, obrigado. Oficialmente não há nada previsto, em Ímola, para lembrar, dia 1.º, a morte de Senna.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.