Todos apostam na vitória de Ralf

Ralf Schumacher é o favorito para vencer o GP da França, domingo, em Magny-Cours, segundo afirmou seu irmão e líder do Mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher, da Ferrari. Os apostadores também o vêem com boas chances. Pela primeira vez na história das apostas, Ralf está pagando menos que David Coulthard, da McLaren, vice-líder do campeonato, segundo a casa Ladbrokes, de Londres: 4 vezes o valor de cada aposta diante de 5 do escocês.O que mais impressionou a todos da Fórmula 1, na última etapa, em Nurburgring, foi o fato de a Williams de Ralf ter lutado pela vitória onde o chassi também conta muito para o desempenho do conjunto. O trio Williams-BMW-Michelin havia vencido nos circuitos de Ímola e Montreal, formado basicamente por retas interrompidas por curvas lentas, condição em que o motor é o componente mais importante. A BMW tem hoje o melhor motor da F-1."A Williams vai disputar conosco o primeiro lugar daqui para a frente", avisou Michael Schumacher. "No caso de Magny-Cours, teremos uma dificuldade a mais, que são os pneus Michelin, muito bem adaptados àquela pista", previu o alemão da Ferrari.A cobrança de Michael Schumacher, da direção da Ferrari, de David Coulthard, da McLaren, apressou os planos de desenvolvimento da Bridgestone. "Teremos um pneu completamente novo para domingo", revelou o gerente técnico da empresa japonesa, Hisao Suganuma. "Nos testes que realizamos lá ficou evidente que o elevado desgaste dos pneus traseiros pode ser a chave da corrida", declarou.As temperaturas na França têm sido elevadíssimas. E a previsão para a região da Borgonhe, onde está localizado o autódromo, a cerca de 300 quilômetros ao sul de Paris, deverá experimentar calor intenso nos próximos dias. Essas temperaturas altas favorecem, em princípio, as equipes que competem com os pneus franceses: Williams, Jaguar, Benetton, Prost e Minardi.Ralf Schumacher riu à toa, domingo passado, em Nurburgring, quando pela primeira vez no fim de semana a temperatura passou dos 15 graus. "O calor nos ajuda, é inquestionável", disse o piloto da Williams.Não bastasse a nítida evolução do chassi FW23, do motor BMW V-10 e dos pneus Michelin, além da maturidade demonstrada por Ralf, a Williams tem a seu favor, no fim de semana, o retrospecto da prova. Desde que a corrida da França passou a ser disputada em Magny-Cours, em 1991, o time de Frank Williams foi o que mais venceu: quatro vezes (91, 92, 93 e 96). A Ferrari vem a seguir, com duas vitórias, ambas com Schumacher, em 97 e 98. Ano passado, a McLaren quebrou, com David Coulthard, o tabu de nunca ter chegado em primeiro lugar nessa pista.Parte da imprensa alemã deu destaque nesta terça-feira ao fato de Michael e Ralf não terem se falado depois do GP da Europa, domingo passado. O piloto da Ferrari fechou o caminho do irmão mais novo, depois da largada, obrigando-o a tirar o pé do acelerador para evitar um acidente. O piloto da Williams disse que era melhor não comentar, naquele momento, depois da prova, o "estilo de pilotar de seu irmão." Na quinta-feira, os dois já estarão em Magny-Cours e a relação entre ambos ficará mais clara. Tensa, como em seguida à corrida de Nurburgring, ou distendida, como será a orientação do empresário de ambos, Willi Weber.A questão é que, com muita probabilidade, os dois melhores pilotos da F-1 hoje, os irmãos Schumacher, irão se encontrar várias outras vezes lutando pela vitória, como no Canadá e em Nurburgring. Weber e os dirigentes da Ferrari e Williams já compreenderam a necessidade de impor algumas regras aos dois. "Lutamos por equipes distintas. Não faz diferença se ele é meu irmão ou não", disse Michael. Seu comportamento agressivo com Ralf sugere que esteja mesmo falando a verdade.O piloto da Ferrari sabe que, como a McLaren ficou para trás, ao menos nas duas últimas etapas do Mundial, seu adversário para ser bicampeão pela Ferrari pode vir a ser Ralf, apesar da diferença de pontos entre ambos no Mundial: 68 a 25. Coulthard está em segundo, com 44. Mas, há gente que pense o contrário. Ross Brawn, diretor-técnico da Ferrari, afirmou nesta terça-feira não acreditar que, este ano, a Williams ainda lutará pelo título. ?Tenho, no entanto, certeza de que em 2002 serão muito difíceis de serem vencidos."

Agencia Estado,

26 de junho de 2001 | 16h48

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