Todos atrás de Ferrari e McLaren

A temporada 2001 da Fórmula 1 começa em duas semanas, na Austrália, com nove equipes tentando quebrar a hegemonia da Ferrari e da McLaren. Apesar de os três últimos campeonatos terem sido emocionantes, eram poucas as incertezas que existiam antes da largada. Foram dez vitórias da equipe italiana, do alemão Michael Schumacher, e sete da inglesa, do finlandês Mika Hakkinen. Nenhuma das demais escuderias. A maioria dessas equipes, de propriedade de grandes montadoras, não pode mais ficar para trás. Por isso, está em curso reação em massa contra Ferrari e McLaren. E é essa ação planejada para relançar times como Williams, Benetton, Jaguar, Jordan e BAR, entre outros, capaz de consumir mais de uma centena de milhões de dólares de cada um, que garantirá, este ano, um campeonato mais disputado.Há diferença básica entre a F-1 de hoje e a de dez anos atrás. O proprietário do times não é mais um idealista que conseguiu patrocínio para seus sonhos, como foram Frank Williams, Ron Dennis, da McLaren, Luciano Benetton, Eddie Jordan, Jackie Stewart e, no passado, Colin Chapman, na Lotus, Ken Tyrrell, Jack Brabham e Graham Hill. Hoje, as equipes pertencem a grupos industriais da área automotiva. O que isso representa de diferença entre as duas épocas? Simples: agora, quem ganha ou perde não é mais Frank Williams, Colin Chapman ou Ken Tyrrell, mas a Fiat, no caso da Ferrari, a Mercedes, representada pela McLaren, a BMW, associada à Williams, a Ford, dona da Jaguar, e a Renault, proprietária da Benetton. E os homens que decidem nessas empresas têm de responder a milhares de acionistas. O lucro provém da venda de carros de série. Os resultados na pista podem tanto catapultar as vendas como servir de desestímulo. Assim, não fica difícil compreender por que uma montadora injeta mais de US$ 100 milhões no negócio. É a forma de tentar recuperar o atraso tecnológico de seu time em relação à Ferrari e McLaren. Mas as respostas na F-1 são, em geral, lentas. Nem mesmo o pessoal da BMW, da Ford, ou da Renault espera que no campeonato que começa dia 4, em Melbourne, na Austrália, suas escuderias sairão vencendo. Imaginam, apenas, estar mais perto de Ferrari e McLaren e, em alguma etapa, surpreendê-las. A chegada da Michelin deve permitir que, em algum circuito, Williams, Benetton e Jaguar, por exemplo, levem a melhor sobre Ferrari e McLaren, times da Bridgestone. O grande projeto dessas escuderias é somar pontos este ano, estar entre os que regularmente chegam ao pódio em 2002, para, em 2003, disputar o título.

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