Todos contra Schumacher na Malásia

O campeão do mundo, Michael Schumacher, estabeleceu a pole position das quatro últimas provas do ano passado e na abertura deste Mundial, na Austrália. Mais: venceu todas essas corridas. Em resumo: Schumacher e a Ferrari estão conquistando o máximo na Fórmula 1 desde o último GP da Itália, disputado no dia 10 de setembro, há seis meses, portanto. Não há dúvida de que essa ordem dos acontecimentos estimula sobremaneira cada piloto e equipe adversários a vencer Schumacher e a Ferrari já na Malásia, domingo.O retrospecto do alemão nas seis etapas finais de 2000 e na primeira deste ano impressiona. Schumacher classificou-se em segundo na Hungria e na Bélgica para em seguida vencer tudo. Há sete provas que ele não deixa de ir ao pódio, cinco vezes como primeiro e duas como segundo colocado. Já soma 45 vitórias, com a de Melbourne, e está a seis de igualar-se a Alain Prost como o maior vencedor de GPs de todos os tempos. Se o piloto da Ferrari obter a pole position na Malásia, sábado, ele terá pela frente apenas Ayrton Senna, embora bem distante.Até agora Schumacher conquistou 33 pole positions, o mesmo número dos segundos colocados nesse ranking, Jim Clark e Alain Prost. O recordista é Senna, com 65. Com a melhor volta registrada em Melbourne, dia 4, Schumacher já é o piloto com maior número de melhores voltas da história: 42. Ele estava empatado com Prost, 41.As cinco vitórias seguidas nas 5 últimas corridas representam muito, claro, mas nem tanto se o seu trabalho for comparado com o de Alberto Ascari, também da Ferrari, que dentre as temporadas de 1952 e 1953 chegou 9 vezes em primeiro. E a Ferrari, no mesmo período, venceu em 14 oportunidades seguidas. A McLaren está em segundo, com 11 vitórias consecutivas, em 1988. Cinco pole positions em série é uma bela marca, mas igualmente distante das 8 poles seguidas de Senna, entre os campeonatos de 1988 e 1989, o melhor nesse parâmetro.Bernd Fisa, assessor de Schumacher, disse nesta terça-feira no circuito de Sepang que o piloto estava numa ilha próxima preparando-se para a corrida da Malásia. Bernd reproduziu a conversa que tivera há pouco com o piloto, por telefone. "Michael disse que com o calor que faz aqui é importante trabalhar fisicamente em condições semelhantes, embora ele sinta pouco os efeitos das elevadas temperaturas." Preocupa um pouco Schumacher caso haja necessidade de se guiar durante muito tempo no limite extremo, o que não ocorreu na Austrália. "Gosto de pilotar em Sepang porque a pista é muito exigente, larga, capaz de permitir a escolha do traçado. Isso me dá prazer", falou Schumacher.Rubens Barrichello viajou para Bali, na Indonésia, depois de dois dias de testes em Fiorano. Nesta quarta-feira ele chega à Malásia. Na conversa mantida com o assessor da Ferrari, comentou: "Do ponto de vista físico, para nós pilotos, e da resistência do equipamento, considero essa a etapa mais difícil do campeonato." Ele destacou que o desafio de todos cresce ainda mais em razão de ser apenas a segunda prova do ano, quando tudo permite ainda muito desenvolvimento. "Meu retrospecto em Sepang é bom, marquei pontos nas duas edições do evento." Em 1999, com a Stewart, classificou-se em quinto, enquanto ano passado, já na Ferrari, terminou em terceiro. "Depois de ver o quanto competitivo é o nosso carro, este ano, não vejo a hora de correr na Malásia."Apenas dois pilotos estiveram nesta quarta-feira em Sepang e os dois são brasileiros, Luciano Burti, da Jaguar, e Enrique Bernoldi, Arrows, ambos na primeira temporada na Fórmula 1. "Dei duas voltas correndo pelo circuito e gostei bastante, por ser bem seletivo", comentou Burti, molhado de suor como se tivesse saído de uma piscina. A extensão do traçado é de 5.543 metros. "Chamou a minha atenção os dois S de alta velocidade, desafiantes e difíceis, e o fato de a pista quase não ser usada." Burti observou que havia marcas no asfalto de freadas de carros de Fórmula 1 desde o ano passado. A corrida foi a última do calendário, dia 22 de outubro. Mesmo tendo sido contruído praticamente para dois eventos, o Mundial de Fórmula 1 e o de Motovelocidade, o autódromo malaio mantem-se impressionantemente conservado, bem diferente do que ocorre com Interlagos."Tem de tudo nesse traçado, curvas de baixa, média e alta", destacou Bernoldi. "Acho que me darei melhor que em Melbourne por não gostar de pistas de rua." Ele comentou que as seções longas e rápidas do circuito representam um desgaste físico ainda maior do gerado pelo calor: "Eu não tenho direção hidráulica na Arrows, tenho que se segurar no braço e garanto que fica pesado nessas curvas rápidas."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.