Todt acena nova postura na Ferrari

Enquanto as equipes que competem com pneus Michelin dominavam, nesta quinta-feira, o primeiro dia de treinos livres para o GP de Mônaco, Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, surpreendentemente dava sinais de distensão na política radical de canalizar seu interesse em Michael Schumacher. "A reação à nossa decisão na Áustria nos surpreendeu, diria que foi fora de proporção e que levaremos em conta no futuro." Os treinos livres não são uma referência precisa para o que pode ocorrer neste sábado, na sessão que definirá o grid da sétima etapa do Mundial, nas ruas do principado, mas até Rubens Barrichello, da Ferrari, chamou a atenção para o fato. "Nos surpreendeu ver a Michelin tão bem." Nada menos de oito dos dez primeiros nesta quinta-feira usam os pneus franceses. Giancarlo Fisichella, da Jordan, quarto colocado, foi o primeiro com Bridgestone, 1min19s680. Barrichello fez o sétimo tempo, 1min19s945. A Ferrari é time da Bridgestone. Jarno Trulli, da Renault, ficou na frente, com 1min18s915. "Não penso que o grid de sábado será esse, mas já deu para ver que nesse tipo de pista a luta será mais acirrada", disse Barrichello, de novo melhor colocado que Michael Schumacher. Nesta sexta-feira não há treinos no GP de Mônaco. Esta pode ser a última edição da prova com essa programação. A partir de 2003 é bem provável que o treino de quinta-feira passe para a sexta-feira, como em todas as etapas do Mundial. Michael Schumacher reclamou do acerto da sua Ferrari F2002 e obteve apenas o 11º tempo, 1min20s404. "Não encontramos um bom ajuste para o carro, mas não estou preocupado. De qualquer forma, os tempos serão bem mais próximos aqui em comparação aos das últimas corridas", falou o alemão. O segundo lugar de Alan McNish, da Toyota e o terceiro de David Coulthard, McLaren, assim como o quinto de Mika Salo, Toyota, e sexto de Ralf Schumacher, Williams, atestam que os pneus Michelin adaptaram-se melhor, ao menos no primeiro dia, ao asfalto irregular de Mônaco, apesar da temperatura relativamente baixa, 18 graus. "Os Bridgestone se dão melhor quando há mais borracha na pista", explicou Felipe Massa, da Sauber, 16º colocado nesta quinta-feira, 1min21s683. Ele bateu na curva da Tabacaria e perdeu 21 minutos da sessão da tarde. "Na Áustria foi a mesma coisa. Nós começamos lá atrás e depois nosso carro melhorou muito." Nesta quinta-feira Massa andou pela primeira vez nos 3.370 metros no difícil traçado. "Se Nelson Piquet disse que isso aqui é como correr de moto dentro da sala de casa, eu digo que é mesmo o caso, mas com outra moto atrás de você." O piloto comentou que nas primeiras voltas sente-se bem a sensação de velocidade, por causa das referências serem bem próximas. "O mais incrível é a diferença que separa uma boa volta de uma batida forte do guard-rail." Busca-se o limite, falou, mas esse limite nunca é claro como em outros circuitos. "Quando ultrapassamos ele, por menos que seja, praticamente não há saída, batemos." Mas ele teve sorte na saída do túnel, ponto de maior velocidade em Mônaco. Sua Sauber atravessou na freada e ele passou a milímetros da grade de proteção. "Não gostei muito do traçado, há curvas em que paramos o carro, para contorná-las a 40 ou 50 km/h." Enrique Bernoldi, da Arrows, teve o motor quebrado durante a volta em que estava com pneus novos e ficou apenas em 21º, com 1min23s150. Não chegou a chover, nesta quinta-feira, durante a sessão da tarde, mas as poucas gotas de água que caíram deixaram o asfalto ainda menos aderente. "A nossa previsão é de melhora daqui para a frente", contou Barrichello, para quem a Williams virá forte ao longo das 78 voltas da corrida, domingo. Pode ser que seja apenas estratégia para diminuir um pouco as pesadas críticas à Ferrari, mas Jean Todt afirmou nesta quinta-feira, no principado, que sua equipe deveria ter visto a situação da Áustria "com a mente mais aberta." Depois tentou explicar. "Evitaríamos todo o ocorrido. É como agiremos daqui para a frente", falou sem dar mais detalhes e sem convencer. Curiosamente, um dia depois de Todt ter ordenado Barrichello dar passagem a Schumacher na Áustria, o próprio presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, afirmou que em Mônaco "a equipe faria a mesma coisa se fosse necessário para atender seus interesses."

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