Todt veta disputa entre seus pilotos

O diretor-esportivo da Ferrari, o francês Jean Todt, afirmou nesta segunda-feira, em Maranello, sede da equipe, que seus pilotos, Michael Schumacher e Rubens Barrichello, não irão disputar entre si nenhuma vitória na Fórmula 1. A afirmação corresponde a um balde de água fria nas esperanças de se assistir a corridas mais disputadas, uma vez que a Ferrari já foi campeã de pilotos e de construtores. "Nosso objetivo agora é fazer de Barrichello o vice-campeão do mundo e isso contraria os interesses do nosso time", disse. Para ele, há várias outras razões para se explicar a queda de audiência do Mundial nas TVs da Europa em razão do domínio absoluto da Ferrari. Ayrton Senna e Alain Prost, quando a McLaren não possuía adversários, 1988 e 1989, tinham o direito de lutar entre si, o que mantinha em alta o interesse pelo evento. Nas duas temporadas anteriores, Nelson Piquet e Nigel Mansell, na Williams, também. A Ferrari, no entanto, apesar de contar com um modelo que é muito superior a todos os demais, o F2002, vencedor de 10 das 11 provas que disputou, prefere atingir suas metas ordenando a Schumacher e Barrichello como agir. Todt assumiu, neste domingo, um dia depois de a Ferrari garantir mais uma importante conquista, o Mundial de Construtores, que as próximas etapas do campeonato não serão diferentes das do GP da Hungria. "Foi difícil para Michael, acho que por isso ele procurou se divertir no fim da prova, quando nos perguntou qual era a volta mais rápida que ele desejava superá-la", falou Todt. O piloto alemão recebeu ordens de não tentar a ultrapassagem sobre o companheiro. Como Barrichello, já em segundo na classificação, tem agora 45 pontos diante de 40 de Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, a dupla da Williams, e restam ainda quatro etapas para o encerramento do Mundial, ao menos nas próximas corridas a política da Ferrari será a mesma. Quem sabe depois de matematicamente Barrichello assegurar o vice-campeonato Todt autorize uma luta aberta entre ambos, já que os pilotos da Williams e da McLaren não parecem dispôr de equipamento para enfrentá-los. Os europeus estão afirmando que menos pessoas estão assistindo às transmissões de TV da Fórmula 1 por causa da hegemonia da Ferrari e não haver disputa entre Schumacher e Barrichello. "Proporcionalmente havia bem mais bandeiras da Ferrari nas arquibancadas, na Hungria, que dos outros times", disse Todt. Para ele, há outros problemas no mundo que estão chamando mais a atenção, o que explicaria a queda de audiência. "Há a questão do clima (enchentes), além de o momento da economia mundial ser dificil." Para o diretor-esportivo da Ferrari, cabe a seus adversários compreenderem por que não estão sendo tão competitivos este ano. "Nós temos consciência do porquê estamos tão fortes." Todt disse mais: Também sabemos que isso não irá durar para sempre." No fim da entrevista, o dirigente destacou o desempenho de Schumacher na temporada: "Ele conquistou 112 pontos em 13 corridas, o que lhe dá uma média de 8,5 pontos por prova. Esse deverá ser o recorde mais difícil de ser superado." O vencedor fica com 10 pontos na Fórmula 1.

Agencia Estado,

19 Agosto 2002 | 15h34

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