Torcida vermelha para vice de Rubinho

O segundo lugar deste domingo no GP da Hungria deu a Rubens Barrichello o nono pódio, o quarto seguido, em 13 etapas disputadas nesta temporada. Dos 140 pontos conquistados pela Ferrari para ser tricampeã entre os construtores, Rubinho colaborou com 46. E com certeza uma parte dos 94 de Michael Schumacher deve-se também, de uma forma ou de outra, ao bom trabalho do piloto brasileiro. O campeão do mundo, como reconhecimento pela importância do companheiro na equipe, tomou uma decisão impressionante: "O Michael chegou para mim e disse leve este volante, o troféu da 51ª vitória, que com certeza significa muito para ele. Agora terá um lugar especial na minha casa", contou Rubinho.No sábado, a Philip Morris, patrocinadora da Ferrari, promoveu uma festa que contou com a presença dos dois pilotos. "Quando vi o belo troféu, simbolizando um volante, comentei com Rubens que ele bem que poderia ficar conosco", lembrou o piloto alemão. Rubinho disse ter visto Michael bastante emocionado, nesta domingo. "Acho que por detrás desse alemão fechado existe uma pessoa humana. Depois de tantos altos e baixos que tivemos juntos, normais numa concorrência, uma coisa dessas também me sensibiliza." E Michael já avisou quanto a colaborar para Rubinho ser vice-campeão: "Espere e verá", afirmou."Rubens chegou na nossa equipe e vencemos dois mundiais. Desde que está aqui posso, às vezes, relaxar um pouco com minha família porque confio no seu trabalho nos testes." Depois concluiu: "Assim que tiver a oportunidade vou retribuir-lhe a ajuda." Ross Brown, diretor-técnico, confirmou o objetivo da Ferrari: "Nas quatro corridas que restam queremos ver Rubens como vice-campeão." Com o resultado deste domingo, ele voltou à terceira colocação do campeonato, agora com 46 pontos. Ralf Schumacher, da Williams, quarto na prova, caiu para o quarto lugar, com 44 pontos. Os dois lutarão com David Coulthard, da McLaren, que tem 51 pontos, pelo título de vice. "Apesar de não estar muito preocupado com isso, já a partir de terça-feira estarei trabalhando em Mugello", disse Rubinho.Sobre a corrida deste domingo, o piloto a viu como uma das melhores que realizou na carreira. E deu a entender que quando Michael Schumacher começou a abrir uma diferença significativa para ele, a partir da 11ª volta, estava "atendendo ordens." É fácil entender: na 10ª volta Michael, em primeiro, tinha uma vantagem sobre Rubinho, segundo, de 1 segundo e 386 milésimos. Na seguinte, 2 segundos e 779 milésimos. Na 27ª, uma antes do primeiro pit stop do alemão, 12 segundos e 899 milésimos. O objetivo era claro: manter David Coulthard, terceiro colocado, o mais longe possível de Michael. Coube a Rubinho, mais uma vez, cumprir a missão.O lance mais espetacular da participação de Rubinho ocorreu na 54ª volta. Na passagem anterior o brasileiro havia feito o seu segundo pit stop, quando estava em terceiro. Na operação do primeiro pit stop, na 31ª volta, ele havia perdido a segunda colocação para Coulthard. "Acho que fiz uma das melhores voltas da minha vida para as condições que estava, depois de sair dos boxes", falou Rubinho, para explicar como voltou a ficar em segundo na corrida, ao cruzar a saída de boxe imediatamente na frente do piloto da McLaren. "Hoje é mesmo um dia especial também para mim. Sinto-me orgulhoso de ouvir do Michael que eu já o fiz suar. Pelo seu talento e quase nunca errar, acho mesmo que irá bater todos os recordes da Fórmula 1."

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