Toyota, a grande surpresa do Mundial

Não há um único profissional da F-1 que não esteja surpreso com o que a estreante equipe Toyota está conseguindo. Neste domingo, não fosse um mal-entendido no segundo pit stop do escocês Alan NcNish, na 40.ª volta de um total de 56, ele teria terminado na sexta colocação. Perdeu 20 segundos a mais de um pit stop normal. Não é tudo: Mika Salo, o outro piloto, estabeleceu a quinta melhor volta da corrida e largou em décimo no grid. Já na abertura do campeonato, na Austrália, primeira prova da Toyota, Salo marcou um ponto, ao terminar sem sexto. "Eu também estou surpreso", disse o coordenador da escuderia japonesa, o veterano Ove Andersson, campeão do mundo com o grupo no Mundial de rali. Basicamente, mantivemos as pessoas do rali e contratamos vários técnicos da F-1. Estou impressionado com a garra com que essa gente trabalha, esse talvez seja o segredo do nosso sucesso inicial", comentou Andersson. O motor Toyota, por exemplo, está chamando a atenção de todos. Seus pilotos estão dentre os que registram as melhores velocidades nas retas. Em Sepang, Salo marcou a segunda velocidade mais alta da prova, 311,1 km/h, atrás apenas de Juan Pablo Montoya, da Williams, 313,7 km/h, e NcNish a oitava, 306,4 km/h. "Nosso motor já tem um bom nível de desenvolvimento, mas reconheço que temos muito o que fazer ainda com relação a aerodinâmica", diz o sueco. O diretor-técnico da Toyota, Gustav Brunner, explicou que o novo túnel de vento da equipe, em Colônia, na Alemanha, sua sede, está em funcionamento há apenas duas semanas. "Para a corrida de Imola (quarta do calendário), talvez poderemos usar um novo pacote aerodinâmico", contou. Já com relação aos motores pelo menos três versões estão previstas até o fim do campeonato. Dentre os responsáveis pelo avanço do time na sua preparação, Andersson não mede elogios a Mika Salo: "Com sua experiência, ele tem nos orientado muito, sobre que caminhos seguir." O finlandês, por sua vez, lembra que os resultados da pré-temporada não revelaram o que a Toyota poderia fazer desde o início do campeonato. "Eu sabia que o nosso potencial era para bem mais daquilo que todos estavam vendo." A escuderia teve de rever totalmente seu planejamento ao compreender, no início de 2001, que a coordenação técnica de Andre De Cortanze os levaria a um desastre. O protótipo que ele criou para realizar os testes em 2001 era mais lento que um modelo de Fórmula 3000. Foi a chegada de Brunner, em março do ano passado, que deu outro rumo ao projeto japonês. "Imaginava vê-los na segunda metade do grid, nunca onde estão", disse Pierre Dupasquier, diretor da Michelin, fornecedor de pneus para a equipe, neste domingo em Sepang. O seu pensamento representa o de todos na F-1.

Agencia Estado,

17 Março 2002 | 13h53

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