José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Trabalho psicológico ajuda Felipe Massa nas competições

Piloto da Ferrari começou o acompanhamento depois de sofrer um acidente em 2009

Valéria Zukeran , O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2012 | 20h44

SÃO PAULO - A psicologia entrou na pista e principalmente na recuperação de Felipe Massa na temporada de 2012 da Fórmula 1. Depois do sério acidente que o piloto sofreu no Grande Prêmio da Hungria de 2009 e das muitas dificuldades que vinha enfrentando na Ferrari, Massa ignorou qualquer preconceito e foi procurar ajuda profissional para colocar o emocional em ordem e voltar a ser o atleta de ponta que disputou até a última corrida o título do Mundial de Pilotos de 2008. João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, assumiu em novembro do ano passado o desafio de ajudar o brasileiro a reencontrar o equilíbrio e os melhores resultados.

A pergunta sobre o que vinha incomodando Massa é inevitável e Cozac explica que um código de ética profissional impede que se dê detalhes sobre o tratamento de um paciente. O psicólogo, no entanto, explica que, de maneira geral, os pilotos são atletas submetidos à diversas fontes de tensão (como as cobranças dos dirigentes, a relação com integrantes da equipe, compromissos publicitários além de cobranças da imprensa e da torcida - que hoje pode se manifestar por meio das redes sociais). Porém, além de tudo, há situação particular da modalidade: enquanto a maioria dos atletas depende exclusivamente de seu corpo para atingir resultados, quem tem por profissão sentar em um cockpit vive o desafio de desenvolver uma relação homem-máquina bem sucedida para vencer.

Cozac afirma que tal relação é complexa. "Por vezes o atleta está em um nível acima do carro, por outras o carro está acima e ele abaixo. O importante, segundo o psicólogo, é que o piloto deixe de "brigar" com seu equipamento e trabalhe até chegar a um nível que ele define como "flow" - quando homem e máquina entram em sintonia e a pilotagem deixa de ser um estresse para se tornar uma ação mais próxima do movimento natural. Muitas vezes, o atleta do automobilismo sucumbe às adversidades, perdendo a autoconfiança e a esperança de melhorar a performance. É em momentos assim que o psicólogo precisa entrar em ação para ajudar o piloto a resgatar as melhores experiências no trabalho e a motivação para superar os problemas.

Não é algo que se conquista do dia para a noite e isso é possível constatar na própria performance de Massa, que teve um início temporada terrível pilotando uma Ferrari que no jargão da categoria "nasceu lenta" (o brasileiro largou em 16º na Austrália, 12º na Malásia, 12º na China, 14º no Bahrein e 16º na Espanha). Ambos, carro e piloto, foram melhorando ao longo do ano até culminar no pódio no Brasil. O choro de Massa no pódio foi a imagem de um final feliz em uma dura jornada dentro e, principalmente, fora das pistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.