Tranquilidade nos EUA surpreende F-1

O finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, que disputa nos Estados Unidos sua penúltima corrida na Fórmula 1, já que irá se aposentar depois do GP do Japão, definiu com precisão o clima no autódromo de Indianápolis, nesta quinta-feira: "Estou surpreso. Meus amigos me diziam para não viajar para cá, por causa do perigo, e o que vejo aqui?", questionou. "Estamos mais preocupados na Europa com tudo o que aconteceu na América que os próprios norte-americanos." Sob clima de completa distensão começa nesta sexta-feira a disputa do GP dos Estados Unidos, com os primeiros treinos livres. Todo o noticiário que envolve os episódios trágicos do dia 11 em Nova York criaram em torno da prova de Indianápolis grande apreensão.Ao menos hoje, no entanto, o ambiente no autódromo sugeria que a corrida seria realizada em outro país, e não naquele que está prestes a promover uma ação militar contra o Afeganistão. "Cheguei há pouco, mas tudo me parece ainda mais tranquilo que no ano passado", comentou Ralf Schumacher, da Williams. Os mecânicos da McLaren, concluído o seu trabalho no fim da tarde, jogavam rugby na área do paddock, atrás dos boxes, logo acompanhados por colegas de outras equipes."Achei que ficaria uns 15 minutos na imigração, explicando os motivos da minha viagem para cá, mas fui liberado facilmente", disse Rubens Barrichello, da Ferrari."Do aeroporto para o circuito percebi que em 80% das casas e automóveis há uma bandeira dos Estados Unidos. Acho que eles estão querendo dizer com isso que a batalha continua, não se pode parar", interpreta Rubinho. Espera-se bem menos público este ano que na edição da temporada passada. "Normalmente o segundo GP em um país desperta um pouco menos de interesse que o primeiro, ainda que não possamos negar a influência dos ataques terroristas." Michael Schumacher atendeu a imprensa apenas às 19 horas, o que significou 21 horas de Brasília e já madrugada na Europa. "Os jornalistas alemães não gostaram nada, mas Michael não podia interromper a reunião com a equipe", disse sua assessora, Sabine Khem."Posso apenas dizer que ele está super-relaxado e contente com o clima que estamos vivendo até agora aqui." Ao contrário do que afirmou na terça-feira, de que "nunca pensou em não disputar o GP dos EUA, Michael só desistiu da idéia de não correr depois que Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, ameaçou tirar-lhe o título de campeão caso levasse adiante seus planos.Apesar de em nenhum momento a atmosfera de Indianápolis recordar os trágicos acontecimentos de Nova York, o proprietário do circuito, Tony George, confirmou nesta quinta uma série de medidas que visam oferecer maior segurança a todos. "A integridade do público é nossa prioridade. Em conjunto com as autoridades da cidade tomamos uma série de procedimentos, muitos não visíveis, para aumentar a segurança." O chefe de polícia de Indianápolis, Jeff Dine, lembrou que há 30 anos desenvolve um modelo de segurança "tão eficiente que outras cidades o copiam." Tony George solicitou hoje "paciência" aos torcedores. "A inspeção rigorosa para entrar no circuito tomará um bom tempo de cada um."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.