Treino da F-1 vai apontar tendência

Pilotos e chefes de equipe já têm uma definição para a primeira sessão de classificação do GP da Austrália, nesta sexta-feira à noite, 23 horas pelo horário de Brasília: "Hora da verdade." Depois de bom tempo a Fórmula 1 volta a ter um treino onde os pilotos podem exigir tudo de si e do equipamento e todos saberem quem é o mais veloz. A opinião é de Flávio Briatore, diretor da Renault. Isso porque o novo regulamento permite o reabastecimento do carro depois da primeira classificação. Nesta sexta-feira, portanto, será possível ver quem é o conjunto mais veloz do Mundial.Das 23 horas à meia-noite cada piloto dos 20 que disputam o campeonato terá uma volta lançada para mostrar sua classe e todos comprovarem ou reverem o potencial evidenciado por suas equipes nos testes de pré-temporada. Mas sabem que terão de ser cuidados com os pneus. As novas regras exigem que no sábado, na segunda classificação, e na corrida, os pneus sejam exatamente os mesmos. "A posição de largada ainda é importante, lógico, mas menos que ano passado", prevê Adrian Newey, diretor-técnico da McLaren, time que surge com força nesse início de campeonato."Até a temporada passada o resultado das corridas era quase definido na sessão de classificação e nas voltas iniciais da corrida. Agora, com a obrigação de usar apenas um jogo de pneus, quase tudo se resolverá nas voltas finais", acredita Geoff Willis, projetista da BAR, segunda no campeonato de 2004. "É uma condição nova para todos", lembrou Pierre Dupasquier, diretor da Michelin, marca dos pneus da McLaren, Renault, BAR e Williams, dentre outras. "Uma coisa é testar como fizemos em Valência e Jerez de la Frontera com o asfalto a 15 graus, outra é aqui, com quase o dobro", falou o francês. "Muitas das perguntas que estão no ar depois da supreendente pré-temporada começarão a ser repondidas agora", imagina Sam Michael, diretor-técnico da Williams.Todos esses técnicos têm uma preocupação básica na busca por performance: tornar seus carros o mais leve possível. E o peso do piloto é um elemento importante nessa equação. Por isso, o "El Gordo", como é chamado por Rubens Barrichello, o colombiano Juan Pablo Montoya, da McLaren, teve de passar por um regime. Perdeu uns pneuzinhos já visíveis nas laterais do seu chassi, ano passado, o que lhe valeu até uma crítica pública de Frank Williams, dono da sua ex-escuderia."Só 4 ou 5 quilos", afirmou nestaquinta-feira Montoya, como dizendo que não foi tanto assim. Se for levado em conta que a cada 10 quilos a mais de combustível o carro se torna cerca de quatro décimos de segundo mais lento... Ron Dennis, diretor da McLaren, colocou um personal trainer ao seu lado em regime integral, até durante as férias, nos Estados Unidos, Gerry Conaay, que garante que foram "um pouco mais dos 4 ou 5 quilos" descritos por Montoya. A imprensa até já esboça um apelido para a McLaren: "Spa." A equipe gasta milhões de dólares para subtrair umas gramas que sejam do seu carro e, ao mesmo tempo, não tem a necessidade de investir lá tanto dinheiro para tirar massa de El Gordo. Durante entrevista coletiva na Austrália, El Gordo disse não ter gostado nada de ouvir Frank Williams reclamar de sua falta de cuidado com o físico através dos jornalistas. "Foi desmotivante." Atribuiu seu mau condicionamento também ao fato de o dirigente não lhe pagar um personal trainer, como faz a McLaren. A verdade é que quando começou a treinar com a equipe, logo depois de deixar a Williams, em novembro, El Gordo não cabia direito no cockpit do modelo MP4/19, assustando o disciplinador Ron Dennis.

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