Darron Cummings/AP
Darron Cummings/AP

Tribunal inglês absolve Ecclestone em caso de corrupção na Fórmula 1

Chefe da categoria era acusado por empresa alemã de prejudicar a comercialização de direitos

Agência Estado

20 de fevereiro de 2014 | 14h57

LONDRES - Envolto em um escândalo de corrupção, Bernie Ecclestone conquistou uma vitória nos tribunais, nesta quinta-feira, quando foi absolvido em um processo movido contra ele pela empresa de mídia alemã Constantin Medien, uma ex-acionista da Fórmula 1. Chefe maior da maior categoria do automobilismo mundial, o dirigente de 83 anos foi julgado pela Alta Corte de Londres e ganhou uma ação multimilionária, relativa à venda dos direitos comerciais da F1, realizada em 2005.

A Constantin Medien considerou ter sido prejudicada por Ecclestone neste processo de comercialização dos direitos, que acabaram sendo adquiridos pelo fundo de investimentos britânico CVC Capital Partners. E, ao anunciar a sua sentença, o próprio juiz do caso, cujos julgamentos ocorreram entre outubro e dezembro do ano passado, admitiu que Ecclestone agiu de forma corrupta neste processo de venda, mas concluiu que a empresa de mídia alemã não perdeu dinheiro como resultado do mesmo.

Ecclestone foi acusado de ter feito um "negócio corrupto" com o ex-banqueiro Gerhard Gribkowsky, considerado culpado pela Justiça por aceitar um pagamento ilegal durante este processo de venda dos direitos comerciais da F1. A Constantin Medien alega que foi subvalorizada e estava processando o chefão da categoria e outros réus do caso em uma ação de US$ 144 milhões.

O caso acabou sendo arquivado, mas o juiz que absolveu Ecclestone, Guy Newey, ressaltou o seguinte em seu discurso final ao proferir a sua sentença: "Os pagamentos foram um suborno. Eles foram feitos porque Bernie Ecclestone tinha um acordo corrupto com o Gribkowsky em maio de 2005, no qual o banqueiro foi recompensado por facilitar a vendas das ações do (banco) BayernLB na F1 a um grupo da preferência de Ecclestone".

Ao se defender durante o julgamento do caso, Ecclestone alegou que não cometeu nenhum ato corrupto, mas caiu em contradição ao dizer que realizou um pagamento depois de ter sido pressionado a fazê-lo pelo ex-banqueiro alemão. Gribkowsky teria sido subornado por Ecclestone com uma quantia de US$ 44 milhões, em um pagamento ilegal que teria o interesse de fazer o dirigente poder escolher um comprador de seu interesse dos direitos comerciais da F1. No caso, a CVC Capital Partners teria sido beneficiada durante este processo de venda.

Condenado por sua participação no caso, Gribkowsky recebeu uma sentença de oito anos e meio de prisão em 2012, depois de ter sido considerado culpado de corrupção, sonegação de impostos, desvio de dinheiro e fraude fiscal. Além disso, foi acusado de pressionar Ecclestone a lhe dar dinheiro, de usar fundos do banco Bayern LB para pagar uma comissão de US$ 41 milhões ao chefão da F1 e de concordar com o pagamento de mais US$ 25 milhões para a Bambino Trust, um companhia ao qual o dirigente estava filiado.

Apesar de ter sido absolvido neste julgamento, Ecclestone ainda não se livrou dos tribunais. Ele enfrentará um novo julgamento, em Munique, no dia 24 de abril, relativo a este mesmo caso envolvendo Gribkowsky. Ele é acusado de suborno e abuso de confiança por causa dos pagamentos feitos ao ex-banqueiro.

Por causa do seu envolvimento neste escândalo, Ecclestone deixou recentemente de integrar o conselho de diretores da Fórmula 1. Ele ficará afastado deste grupo enquanto estiver se defendendo na Justiça alemã. Ele foi formalmente indiciado, em julho do ano passado, pela promotoria de Munique, por seu envolvimento neste caso.

Tudo o que sabemos sobre:
velocidadeFórmula 1Bernie Ecclestone

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.