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Reginaldo Leme
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Um gol a cada volta

Ao receber de volta a Fórmula 1 depois de 23 anos, o México retribuiu com o maior público do ano (mais de 360 mil pessoas nos três dias) e uma festa que não se viu em nenhum outro GP este ano. Cada vez que o mexicano Sergio Perez passava diante das arquibancadas lotadas, a vibração era semelhante à de um gol. Na corrida, por não ter repetido erros anteriores, Rosberg voltou a sentir o gostinho de uma vitória e, com isso, praticamente garantiu o vice-campeonato porque o rival nessa briga, Sebastian Vettel, nunca errou tanto em um mesmo dia. 

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2015 | 03h00

Dos erros menores aos maiores, o tetracampeão acabou deixando no muro a chance de continuar vice-líder. A briga entre os dois alemães pelo vice pode terminar no Brasil porque Rosberg, que estava quatro pontos atrás, agora está 21 à frente. 

Para uma única pessoa no paddock a vitória de Rosberg não foi tão merecida quanto parece. Não satisfeito com o tri garantido uma semana antes, Lewis Hamilton tem certeza de que houve interferência da Mercedes para tentar levantar o moral do alemão. Desde o momento em que foi chamado para uma segunda troca de pneus, como Rosberg tinha feito, Hamilton chegou a pedir explicação para a equipe porque não sentia necessidade deste segundo pit stop. Só depois de insistentes chamados, mesmo sem estar convencido, resolveu acatar a recomendação do engenheiro Peter Bonnington. 

O cumprimento entre Hamilton e Rosberg após o GP do México foi frio, mas, pelo menos, existiu. Depois do episódio mais comentado do ano, que foi o dos bonés em Austin, nem isso era esperado. Tudo se passou na antessala do pódio dos EUA, onde Hamilton tinha vencido graças a um erro de Rosberg nas voltas finais. O alemão, sentado em um canto da sala tentava digerir o resultado. A vitória quase certa havia se transformado na derrota mais doída, que dava título de campeão ao rival.

É habitual uma pessoa da Pirelli deixar em cima da mesa três bonés com os números 1, 2 e 3, que os pilotos devem usar no pódio de acordo com a colocação de cada um. Os bonés ficaram em frente a Hamilton, que entregou o de terceiro lugar nas mãos de Vettel e jogou o de segundo no colo de Rosberg. Para alguns ficou clara a intenção de desdém do inglês como se quisesse dizer: “Toma, este é o lugar que lhe cabe”. Para outros, ele jogou o boné apenas porque Rosberg estava mais distante. Seja como for, o alemão não teve dúvidas. Pegou o boné e jogou de volta contra o corpo de Hamilton. O inglês respondeu com o olhar de um inimigo. No México os bonés foram substituídos por sombreiros típicos do país, e a Pirelli entregou um por um para os três do pódio. 

Hamilton deu adeus ao sonho de igualar o recorde de 13 vitórias no ano, de Schumacher em 2004 e Vettel em 2013. Mas este foi o melhor dos seus nove anos de carreira. Fez um campeonato em que superou rivalidades sem se meter em encrencas, conquistou 11 poles e dez vitórias até agora. No lugar de alguns erros cometidos, este foi o campeonato que ele ganhou justamente nos erros do maior rival. É um tricampeão mundial como seu ídolo Senna, e até com duas vitórias a mais. Com um total de 43, ele passa a ser o terceiro maior vencedor da história. E, aos 30 anos, ninguém duvida que o seu próximo alvo é alcançar as 51 de Alain Prost. 

O que sobra agora para a gente conferir é a acirrada guerra entre os finlandeses Raikkonen e Bottas, que começou na Rússia e continuou no México. Isso levou a Ferrari a um dos resultados mais negativos de sua história, quebrando uma sequência de nove anos sem sofrer um duplo abandono. A última vez tinha sido no GP da Austrália de 2006, ainda na época de Schumacher e Massa. 

Este fim de semana, fora a Fórmula E na Malásia e a MotoGP decidindo o título em Valência em um ambiente tumultuado pela punição a Valentino Rossi por ter derrubado Marc Marquez com uma joelhada há duas semanas, temos Stock Car em Tarumã. Trabalho não falta nesta penúltima etapa do campeonato, mas o clima para mim está garantido desde que o gerente do hotel me entregou a chave do apartamento dizendo que ele tinha sido ocupado até quinta-feira por um dos integrantes da banda Credence Clearwater, uma das minhas favoritas. 

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