Felix Heyder/EFE
Felix Heyder/EFE

Vale tudo na hora de contratar os melhores pilotos

Enquanto Alonso e Hamilton correm atrás de Vettel em Cingapura, negociações não param nos bastidores

LIVIO ORICCHIO - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2013 | 08h00

CINGAPURA - Fernando Alonso, da Ferrari, e Lewis Hamilton, Mercedes, esperam que hoje, na sessão que definirá o grid do GP de Cingapura, Sebastian Vettel, da Red Bull, não lhes imponha uma vantagem tão grande quanto ontem, nos treinos livres. O que lhes daria uma longínqua chance de poder pensar em vencer, amanhã, e reduzir a diferença que os separa do alemão, cada vez mais líder do campeonato.

Mas enquanto ontem Vettel demonstrava na pista sua competência e as qualidades do carro da Red Bull, Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, deu mais uma mostra de como são conduzidas as negociações com pilotos, hoje, na Fórmula 1. Literalmente convidou Alonso, através da imprensa, para se transferir para sua equipe. Sabendo que o espanhol tem contrato com a Ferrari até 2016.

“Não há mais discrição para nada”, afirmou Eric Boullier, diretor da Lotus. O seu piloto, Kimi Raikkonen, havia declarado, quinta-feira, que aceitou o convite da Ferrari porque a Lotus não lhe paga o salário. “Isso é algo nosso. No ano passado também atrasamos o pagamento de Kimi, mas acertamos tudo. Essa é a realidade da Fórmula 1 fora três ou quatro times.”

Outro profissional que se diz impressionado como tudo é exposto é Niki Lauda, diretor da Mercedes. “Como este ano eu nunca vi. O que mais chama a atenção é que para mim trata-se de uma estratégia equivocada. Se você deseja algo seja discreto para obtê-lo, as chances de sucesso são maiores.”

O empresário de Alonso, o espanhol Luis Garcia Abad, encontrou-se com Christian Horner, diretor da Red Bull, nos dias do GP da Hungria, para oferecer seu piloto à escuderia tricampeã do mundo. E quem passou diante do motorhome da Red Bull viu. “Estávamos discutindo sobre Carlos Sainz Júnior”, tentou disfarçar. A carreira do jovem piloto da GP3 é gerenciada por Abad. Depois a trama foi descoberta. A Ferrari perdeu a confiança no seu piloto e contratou Raikkonen, para o caso de Alonso assumir a multa e deixar a Ferrari.

“Podemos lembrar também que Mark Webber anunciou sua aposentadoria primeiro à imprensa”, lembra o ex-piloto Jackie Stewart, tricampeão mundial. Horner, diretor da Red Bull, desconhecia a decisão de seu próprio piloto.

FRUSTRAÇÃO

O empresário de Nico Hulkenberg, da Sauber, Werner Heinz, lamentou também ter sido informado pelo diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, de que o escolhido para a vaga de Felipe Massa seria Raikkonen, e não seu piloto, por meio de uma mensagem no celular, às 22 horas do dia anterior ao do anúncio, dia 11. “Negociamos durante dois meses, o contrato passou na mão de vários advogados. Esperava ao menos uma ligação telefônica”, disse.

GRID

A sessão de classificação da 13ª etapa do campeonato, hoje, começa às 10 horas, horário de Brasília, 21 horas em Cingapura, única prova noturna do calendário. A Red Bull está invicta desde a volta das férias da Fórmula 1, no fim de agosto. Vettel estabeleceu as duas pole positions, na Bélgica e na Itália, bem como venceu as duas corridas.

A Pirelli levou para Cingapura os pneus supermacios e os macios. “Estamos voando com os supermacios, enquanto com os médios os adversários estão mais próximos”, disse Vettel. Hamilton e Alonso já declararam ser quase impossível poder vencê-lo nas ruas de Cingapura.

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