Valendo um milhão

A Stock Car, que abriu a temporada de 2015 em Goiânia com a corrida de duplas está de volta a esta cidade agradável, que, segundo a ONU, está entre as 50 com melhor qualidade de vida no Brasil. Agora é a vez da “Corrida do Milhão”, etapa que garante ao vencedor o prêmio de R$ 1 milhão, e ocorre duas semanas depois do maior acidente da história da categoria, ocorrido no circuito de Curitiba. 

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 03h00

O autódromo de Goiânia, atualmente o melhor do País, é também o mais seguro graças às grandes áreas de escape, o que alivia um pouco o clima de preocupação vivido pelas equipes, especialmente aquelas que tiveram de fazer um carro totalmente novo, e em tempo recorde, para não ficar fora da etapa mais importante do campeonato.

Um dos pilotos que correm com carros novos é Thiago Camilo, que tem duas vitórias em seis edições da Corrida do Milhão (2011 e 2012), além de um segundo lugar no ano passado, cruzando a linha de chegada 186 milésimos de segundo atrás de Rubens Barrichello. Por ter sofrido um rompimento do tendão do tornozelo esquerdo no acidente de Curitiba, Thiago Camilo só teve sua participação confirmada na quinta-feira. Os outros vencedores são Valdeno Brito (2008), Ricardo Mauricio (2010), Ricardo Zonta (2013) e Barrichello (2014). Em 2009 não houve a Corrida do Milhão. 

Felipe Fraga, que também chegou a ser levado para o hospital em Curitiba, não sofreu contusões. Além desses dois, também o carro de Rafa Matos foi refeito a partir do zero. A equipe de Carlos Alves foi a que sofreu maior prejuízo, com os carros de Rafa e também o do companheiro Felipe Lapenna, o que exigiu muito trabalho dos mecânicos. Por uma grande coincidência, Thiago, Fraga e Rafa ficaram em oitavo, nono e décimo no treino livre de sexta-feira, separados por 17 milésimos. 

O novo carro de Felipe Fraga foi montado em um tempo recorde de cinco dias. E, assim que foi liberado pelos médicos, o piloto saiu de Palmas, em Tocantins, onde mora, para poder acompanhar o trabalho dos mecânicos na sede da equipe Voxx, em Petrópolis. Vencedor aqui na pista de Goiânia no ano passado, Fraga já decidiu que, em caso de vitória amanhã, o prêmio será dividido entre os mecânicos. 

Quando se pergunta para qualquer piloto o que significa esse prêmio especial, a resposta é sempre a mesma. Todos dizem que a prioridade é buscar os 24 pontos da vitória, sem pensar na premiação da corrida. Em um campeonato tão equilibrado como o de 2015 isso se justifica. Na prova mais importante da Stock apenas o vencedor tem direito a prêmio. O segundo colocado não leva nada. Bem diferente, por exemplo, da “500 Milhas de Indianápolis”, onde o vencedor ganha US$ 2,5 milhões e o segundo, US$ 785 mil.

Marcos Gomes lidera o campeonato com 141 pontos, seguido por Julio Campos (116), Daniel Serra e Cacá Bueno (ambos com 113) e o atual campeão Rubens Barrichello (109). Por ter sido punido pelo STJD da CBA, Cacá não participou da corrida passada, o que ajudou a abrir caminho para Marcos Gomes assumir a liderança, mas Marquinhos é o destaque do ano por ser o único a pontuar em todas as corridas.

Fórmula E. Os brasileiros Nelsinho Piquet, Lucas di Grassi e Bruno Senna estão confirmados no Mundial de Fórmula-E (carros elétricos) de 2016. Nelsinho, atual campeão, continua defendendo a China Racing, enquanto Di Grassi corre pela Abt e Bruno Senna, pela Mahindra. O sucesso da primeira temporada chamou a atenção de mais um piloto muito forte, o alemão Nick Heidfeld, que disputou 183 GPs na Fórmula-1 e será o novo companheiro de Bruno. Todas as equipes fizeram esta semana os treinos da pré-temporada em Donnington e, graças a um novo modelo de freios e evoluções também no motor e suspensão, os carros se tornaram meio segundo mais velozes. A abertura do campeonato será no dia 17 de outubro na China.

Neste fim de semana Giuliano Raucci estreia na Fórmula-4 alemã, correndo com Mick Schumacher, filho do heptacampeão mundial.


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