Vantagem da Ferrari impressiona adversários

A vantagem impressionante imposta pela Ferrari a seus adversários nos treinos livres de sexta-feira assustou a todos na Fórmula 1. E eles são, por vezes, mais reveladores do que a sessão de classificação para o grid, que será disputada na noite deste sábado (horário de Brasília), para projetar o que pode ocorrer na madrugada deste domingo (a partir da meia-noite) no GP da Austrália, prova de abertura do Mundial.Tudo o que os dirigentes da Fórmula 1 e milhões de entusiastas do campeonato esperam das 58 voltas no circuito Albert Park, em Melbourne, etapa de abertura do Mundial, é uma disputa intensa pela vitória, emoção. Michael Schumacher e Rubens Barrichello, da Ferrari, podem até vencer, mas depois de ultrapassar, serem ultrapassados e voltarem a ultrapassar seus adversários, que se prepararam como nunca para enfrentá-los e, se possível, derrotá-los. Com certeza, há quem arriscará ousar na estratégia, ao optar por três pit stops num GP em que, tradicionalmente, acontecem duas ou até apenas uma parada.Pilotos e chefes de equipe foram unânimes ao afirmar, na sexta-feira, que o novo sistema de classificação representa uma referência menor que em 2003 para o real ordem de forças na prova. "O peso de você errar na pré-classificação e depois na tomada de tempo é tão grande que duvido que este ano alguém dará tudo o que tem", disse Rubinho. Ano passado, a pré-classificação, a que aponta a ordem de entrada na pista na sessão que define o grid, era realizada na sexta-feira e a classificação só acontecia no sábado. Se houvesse algum problema na pré-classificação, havia um dia para os mecânicos trabalharem nos carros até a classificação.O novo formato, a ser experimentado pela primeira vez na madrugada deste sábado, mostrou que como há apenas dois minutos de intervalo entre a pré-classificação e a classificação, a preferência dos pilotos é por sacrificar um pouco o desempenho em troca de mais garantias de estar no grid. Talvez não na melhor posição, mas também, por não errar ou o carro não apresentar pane, não ter de largar em último, o que comprometeria as chances de um grande resultado.Essa é a razão de, a partir de agora, os treinos livres poderem revelar mais sobre o potencial de cada um para a corrida. Justifica igualmente tanta gente ter entrado em pânico com o 1 segundo e 39 milésimos imposto por Schumacher a seu primeiro concorrente, Jarno Trulli, da Renault, terceiro colocado de sexta-feira. Pior: um segundo e 488 milésimos para Juan Pablo Montoya, da Williams, sétimo lugar, e um segundo e 497 milésimos para David Coulthard, McLaren, oitavo. Não era isso que os testes de inverno apontavam.As reações deslocaram-se desde assombro com a performance do modelo F2004 às explicações de sua velocidade. "É deprimente", definiu Jackie Stewart, consultou da Ford, proprietária da Jaguar. "Até ontem eu apostaria alto que isso não aconteceria. Schumacher sentou no carro e depois de quatro voltas era dois segundos mais rápido que todos." Montoya também falou: "A diferença foi grande demais, acho que ninguém a esperava." O que anima os concorrentes de Schumacher e Rubinho é o histórico do GP da Austrália. "A Bridgestone (fornecedora de pneus da Ferrari) costuma tornar seus carros muito velozes quando o asfalto tem pouca aderência como hoje (sexta-feira). Mas à medida que vai se tornando mais aderente, com o acumulo de borracha, a Michelin (fornecedora da Williams, Renault, McLaren, BAR, Jaguar e Toyota) equilibra as coisas", explicou Jenson Button, da BAR, quarto no treino livre, a um segundo e 68 milésimos de Schumacher."Eu quero ver se no fim da corrida, domingo, a nossa vantagem é essa mesmo, o que duvido", disse Schumacher. Rubinho confirmou que muito do desempenho da Ferrari estava mesmo relacionado aos pneus. "O carro é veloz, já sabíamos, mas hoje em particular os pneus funcionaram muito bem." Brasileiros - Felipe Massa, da Sauber, elogiou o comportamento da sua Sauber - ele ficou em 13º lugar na sexta-feira -, enquanto Cristiano da Matta, da Toyota, espera não ter na corrida os mesmos problemas de freio da sexta, quando foi 16º colocado.

Agencia Estado,

05 de março de 2004 | 17h46

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