Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Verstappen mobiliza fãs e leva holandeses a esquecerem o futebol

Piloto vira sensação no país europeu, ganha torcida organizada e faz público superar fracassos da seleção

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2018 | 05h00

Maior aposta da Fórmula 1 para o futuro, Max Verstappen se tornou um fenômeno de público na categoria. O piloto de apenas 21 anos, mas já com quatro temporadas de F-1 nas costas, mobiliza milhares de fãs pelas corridas na Europa e até compensa a torcida holandesa pelos fracos resultados no futebol, o esporte mais popular do seu país.

A "onda laranja" passou a ganhar maior destaque neste ano. Hordas de torcedores invadiram as etapas mais próximas da Holanda, principalmente nos circuitos de Spa-Francorchamps, na Bélgica, e Hockenheim, na Alemanha. Houve também grande público holandês no GP da Áustria, em Spielberg.

"É muito legal esse apoio. Mas, sim, eu fiquei um pouco surpreso", admite Verstappen, ao ser questionado pelo Estado sobre seu sucesso de público. “Acho que, em geral, o povo holandês demonstra muito apoio aos seus atletas no esporte”, afirma o piloto, na entrevista exclusiva, às vésperas do GP do Brasil, em São Paulo.

Sem uma etapa no calendário, a torcida holandesa adotou Spa como a corrida de Verstappen "em casa". E não decepcionou. A "invasão" superou os 10 mil torcedores neste ano. A organização do GP belga até reservou um espaço considerável das arquibancadas para o público do país vizinho. O trecho já ganhou o apelido de "Max Verstappen Grandstands".

Em tempos de queda de público nos circuitos da F-1 nos últimos anos, o holandês está ajudando a mudar este cenário. Diretor de marketing do GP da Alemanha, Jorn Teske disse no início do ano que Verstappen foi “determinante” para o aumento nas vendas dos ingressos para a corrida em Hockenheim, no fim de julho. "A torcida não está grande somente em Spa, mas também na Áustria. É sempre legal ver eles lá", diz o piloto da Red Bull, citando o crescimento da "onda laranja".

Apesar da empolgação da torcida, Verstappen não chegou a entrar na briga pelo título deste ano. É o quinto colocado, com duas vitórias na temporada. Para o holandês, o bom apoio do público também se deve aos resultados ruins da seleção holandesa no futebol. O tradicional time do seu país não conseguiu se classificar para a última Copa do Mundo e Eurocopa.

"Sim, de certa forma estou preenchendo este espaço. Por um tempo, não tivemos um piloto na Fórmula 1. E a nossa seleção não foi muito bem em campo por alguns anos e acho que isso ajuda um pouco", afirma Verstappen.

Ao mesmo tempo, o piloto vem mostrando clara evolução nas pistas. "Esta é a minha melhor temporada na F-1. Acho que cada ano tem sido melhor que o outro”, diz, sem se surpreender com o seu progresso. “É algo natural. Você vai ganhando cada vez mais experiência e isso vai rendendo uma performance melhor. Eu estreei com apenas 17 anos. Quatro anos a mais ajuda qualquer um a crescer e não somente no automobilismo, mas na vida".

Exibindo certa maturidade, o holandês admite sonhar com o título da F-1, porém mantém os pés no chão mesmo diante de elogios do chefe. Recentemente, Christian Horner disse que Verstappen brigará pelo troféu de 2019. "É bom estar otimista. Todo mundo da equipe está motivado para buscar os resultados. Mas teremos que esperar para ver o que acontece."

As altas expectativas e o glamour da F-1 contrastam com a personalidade mais fechada do piloto. O maior candidato a substituir o badalado Lewis Hamilton nas conquistas da categoria no futuro é caseiro e discreto. "Ficar em casa, com a família, é o que eu mais gosto de fazer quando estou com tempo livre. Também gosto de andar de bicicleta e jogar videogame, principalmente o Fifa."

Fã de futebol e torcedor do PSV Eindhoven, ele lamenta não poder mais acompanhar o time no estádio como fazia quando os compromissos no automobilismo eram raros. E lembra dos craques brasileiros que já defenderam o clube holandês. "Tivemos o Romário e o Ronaldo." Verstappen chegou a jogar na infância antes de as corridas tomarem conta de sua vida. "Eu jogava sempre até os 11 anos, mas comecei a ficar muito ocupado com o automobilismo. Tive que fazer uma escolha e percebi que eu era bem melhor pilotando do que jogando futebol."

No Brasil, às vésperas do GP deste domingo, o holandês teve a oportunidade de rever os bons tempos da infância num evento de divulgação da Red Bull numa discreta quadra de futsal no bairro de Pinheiros. Verstappen se divertiu com a bola nos pés e mostrou tanto empenho e concentração na atividade que até surpreendeu os jogadores convidados pela equipe. "Vamos dizer que eu odeio perder", disse ao Estado, entre risos. "Sempre quero ganhar."

 

 

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