Laurent Dubrule/ Reuters
Laurent Dubrule/ Reuters

Vettel venceu sem utilizar toda a força da Red Bull

Apesar de fácil vitória, alemão poderia ter imposto um ritmo ainda mais forte em Spa

LIVIO ORICCHIO, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2013 | 14h47

SPA - Não foi a manobra que levou Sebastian Vettel a vencer pela quinta vez na temporada, em 11 etapas, e posicionar-se, restando oito provas para o encerramento do campeonato, em condição bastante favorável para conquistar o tetracampeonato.

Mas a ultrapassagem do piloto alemão da Red Bull, sobre Lewis Hamilton, da Mercedes, neste domingo, no circuito de Spa-Francorchamps, no início da grande reta, logo depois da largada do GP da Bélgica, demonstrou a superioridade do time austríaco sobre todos os demais.

Hamilton aproveitou-se da chuva, sábado, e com seu grande talento estabeleceu a pole position. Vettel ficou em segundo, 88 milésimos de segundo mais lento. Com pista seca, o tricampeão repetiria a enorme vantagem imposta sexta-feira e não haveria como não ser o mais rápido na classificação. O próprio Hamilton reconheceu

Na largada, hoje, Hamilton saiu na frente, contornou a famosa e veloz curva Eau Rouge em sétima marcha, a cerca de 260 km/h, em primeiro, mas logo no início da reta a seguir Vettel o ultrapassou com enorme facilidade para assumir a liderança do GP da Bélgica e praticamente não mais perdê-la.

Nessa fase da corrida, os pilotos não podem usar, ainda, o chamado DRS, flap móvel, recurso que reduz a resistência ao movimento gerada pelo aerofólio traseiro e permite o piloto dispor de maior velocidade para realizar ultrapassagens. Portanto Vettel não o utilizou. Mais: o piloto da Red Bull largou com pneus médios usados, enquanto Hamilton com médios novos.

Não acabou: na entrevista coletiva depois da bandeirada, Vettel disse não ter recorrido a toda potência extra oferecida pelo sistema de recuperação de energia (Kers) para ganhar mais velocidade, ultrapassar Hamilton e tornar-se líder. Ainda: Vettel teve de manter certa distância do inglês da Mercedes na Eau Rouge para garantir pressão aerodinâmica na frente do carro da Red Bull.

Se estivesse muito próximo, o que depois facilitaria a ultrapassagem na reta, poderia perder o controle do carro, pois o ar não fluiria como é necessário para gerar pressão aerodinâmica no aerofólio dianteiro e permitir ao piloto contornar a curva naquela velocidade.

Mesmo com todos esses fatores contra Vettel saiu da Eau Rouge atrás de Hamilton e em poucos metros reduziu a distância de maneira impressionante. Colocou o seu carro lado a lado com a Mercedes, a equipe que dispõe do motor com mais potência na Fórmula 1, e no meio da reta, bem antes da freada para a curva 5, já era o primeiro colocado da corrida.

A impressão, geral, no circuito de Spa-Francorchamps foi de que Vettel não exigiu tudo do seu notável RB9-Renault. Se fosse necessário poderia ter imposto um ritmo ainda melhor, estimado em cerca de pelo menos três décimos de segundo por volta, enorme para os padrões da Fórmula 1.

Sem recorrer a tudo que poderia o alemão venceu, ao final das 44 voltas, com uma vantagem de 16 segundos e 869 milésimos para um supercombativo Fernando Alonso, da Ferrari. Hamilton ficou em terceiro. Em razão da enésima má largada, quando caiu de terceiro para sexto, Mark Webber, companheiro de Vettel, foi somente o quinto.

“Nós nos surpreendemos com a nossa performance”, afirmou Vettel. “Ajudou o fato de ultrapassar logo Lewis. Depois, eu voava na pista. Meu ritmo era incrível, realmente pude controlar a corrida até o fim.” Havia apenas uma preocupação: “A chuva. Ela poderia cair nas últimas voltas”. O que não aconteceu. Seria a chance de a torcida ter um pouco mais de emoção.

Sexta-feira, ao término dos treinos livres, Alonso e Hamilton afirmaram que a única possibilidade de poder pensar em superar a Red Bull, neste domingo, seria se chovesse.

Depois de 11 etapas, Vettel lidera o campeonato, agora, com 197 pontos, 46 pontos a mais de Alonso (151), que com o abandono de Kimi Raikkonen, da Lotus, ontem, em razão da quebra de um disco de freio, reassumiu a segunda colocação, com 151 pontos. Hamilton também ultrapassou Raikkonen. O inglês está em terceiro, com 139, e o finlandês, quarto, 134.

Vettel explicou aos jornalistas não estar pensando nos números. “O prazer de pilotar um carro tão bom nesta pista é tão grande que você só se concentra nisso. Como nas temporadas passadas, corro pensando apenas nas etapas que estou disputando, não na classificação do campeonato.” Mas suas chances de festejar o quarto título seguido bem antes do GP do Brasil, último do ano, crescem a cada prova. A próxima será na casa da Ferrari, em Monza, dia 8 de setembro.

Tudo o que sabemos sobre:
VelocidadeF-1VettelSpa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.