Villeneuve na marca do pênalti

Um dirigente do futebol, no lugar de Peter Sauber, sócio da equipe Sauber, diria: "Jacques Villeneuve está prestigiado." Já um torcedor da arquibancada, mais objetivo, preferiria: "Jacques Villeneuve está na marca do pênalti." A verdade, porém, é a mesma: se o canadense campeão do mundo de 1997 não acompanhar já a partir desta quinta-feira o ritmo de seu companheiro, Felipe Massa, nos primeiros treinos livres do GP da Malásia, poderá ser substituído na etapa seguinte do Mundial, dia 3, em Bahrein. E já se conhece até o escolhido, o inglês Anthony Davidson, terceiro piloto da BAR. A partir da meia noite desta quinta-feira (horário de Brasília), o filho do mito Gilles Villeneuve tem de fazer o que não conseguiu em toda pré-temporada e na prova de abertura do campeonato, dia 6 na Malásia. A pouca velocidade de Jacques Villeneuve foi assunto bastante comentado, hoje, no circuito de Sepang. Isso porque ele representa a Petronas, a companhia estatal de petróleo da Malásia, principal patrocinadora da Sauber, que celebra no fim de semana dez anos de parceria com o time suíço. Hoje, enquanto participava de um evento promocional, Villeneuve partiu para o ataque, defendendo-se: "Fórmula 1 é como outro esporte qualquer. Treinar é a base do sucesso, e nós não testamos suficientemente o C24 (atual modelo da Sauber)." Complementou, depois: "O trabalho que realizamos não nos deu a compreensão que precisamos do carro, cada hora aparecia um problema." Está pesando muito contra o canadense o fato de ter sido favorecido pela chuva na sessão de classificação, em Melbourne, obter o quarto lugar no grid, mas depois da largada, na primeira volta, perder cinco posições e terminar em 13.º. Com o mesmo carro, Massa largou em último, por ter sido surpreendido pela chuva na classificação, e recebeu a bandeirada em décimo. E ser mais rápido que Massa em Sepang não será fácil. Em 2002, na sua segunda corrida na Fórmula 1, marcou pontos ao classificar-se em sexto. Ano passado conquistou mais um ponto para a Sauber com o oitavo lugar. "É uma das minhas pistas favoritas", diz Massa que há dez dias trabalha fisicamente em Kuala Lumpur, a capital da Malásia, sob temperaturas próximas dos 40 graus e umidade do ar entre 70 e 80%. Villeneuve já tem até desculpa se for dispensado pela Sauber, como foi pela BAR, no fim de 2003: "Ser muito cobrado é o preço que pago por ter sido campeão do mundo. Prefiro estar sempre em manchete a nunca ter vencido nada e ser ignorado." Charlie Whiting, da FIA, finalmente manifestou-se a respeito do comportamento da BAR no GP da Austrália. Como Jenson Button e Takuma Sato, seus dois pilotos, estavam fora dos oito primeiros, os que marcam pontos na Fórmula 1, foram chamados para os boxes uma volta antes da bandeirada para o vencedor, Giancarlo Fisichella, da Renault. O regulamento prevê que os pilotos que não recebem a bandeirada podem substituir o motor para a etapa seguinte. Nesta temporada cada motor deve ser utilizado em dois GPs. "Há uma diferença entre abandonar uma corrida e escolher abandoná-la", traz o comunicado da FIA. Hoje, no autódromo, havia a especulação de que se Button e Sato iniciarem o treino livre de amanhã à meia noite com motores novos os dois perderão dez posições no grid. Whiting ainda não confirmou se haverá punição, ao menos para a etapa de Sepang, mas todos já foram avisados de que o texto da regra foi revisto.

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