Villeneuve não liga para as críticas

Peter Sauber, sócio da Sauber, afirmou segunda-feira sobre Jacques Villeneuve, campeão do mundo de 1997 e seu piloto este ano. "Ele está lento." Nesta quinta, o canadense, diante da imprensa de seu país, comentou a crítica. "Entra por um ouvido e sai pelo outro." Nesta sexta começam os treinos livres do GP do Canadá, no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, e há rumores de que Villeneuve pode disputar sua última corrida na Fórmula 1. Foi Bernie Ecclestone quem, pessoalmente, solicitou a Peter Sauber a contratação de Villeneuve, a fim de contar com personagens carismáticos, de sobrenome mítico na competição. O piloto havia sido dispensado pela BAR no fim de 2003. Quinta, o filho de Gilles reagiu às constantes críticas de Peter Sauber. "O problema não sou eu. Quanto mais piloto, mais evoluo. Nossa dificuldade é o carro. Não que seja desequilibrado, não é, apenas lhe falta velocidade." Falou mais. "Para reverter essa situação seria necessário rever aerodinâmica, suspensões e a Sauber não tem dinheiro para isso." Felipe Massa, seu companheiro, regularmente é bem mais veloz que o canadense. Daí Peter Sauber o criticar publicamente. Nesta quinta, de novo, falou-se que o italiano Vitantonio Liuzzi, substituído na Red Bull pelo austríaco Christian Klien, poderá correr no lugar de Villeneuve em breve. Não é a primeira vez que o piloto se vê bastante constrangido diante da sua torcida. No ano em que foi demitido pela BAR, o então diretor da equipe, David Richards, perguntou aos jornalistas canadenses, também na quinta-feira anterior ao domingo do GP do Canadá. "Vocês não acham que Jacques ganhar 22 milhões de euros por ano é muito? Disse-lhe para se contentar com 12 que com os outros 10 lhe daríamos um carro quatro décimos de segundo mais rápido." A fúria de Villeneuve com a declaração de Richards foi histórica. Se pudesse, teria partido para a briga com o chefe de seu time. Indiferentes às acusações públicas de Peter Sauber e Jacques Villeneuve, os demais pilotos demonstraram preocupação, nesta quinta, com o novo asfalto dos 4.361 metros da pista e o calor intenso, 30 graus às 18 horas. "É um desafio para todos, não temos idéia de como os pneus irão reagir", falou Rubens Barrichello, da Ferrari, bastante animado com o terceiro lugar na última etapa, o GP da Europa, em Nurburgring. "Em condições normais, diria que a Ferrari será bem mais forte aqui que nas provas anteriores", afirmou. Nas últimas dez edições do GP do Canadá, a Ferrari venceu sete vezes - em seis oportunidades com Michael Schumacher e uma com Jean Alesi, na sua única vitória na Fórmula 1, em 1995. Continua repercutindo o péssimo clima nas relações entre a escuderia de Frank Williams e a direção da BMW, sua fornecedora de motores. Patrick Head, sócio de Frank Williams e chefe de engenharia, definiu as ações de Mario Thiessen, diretor da BMW, como "desonestas". O alemão, na tentativa de tirar da BMW qualquer responsabilidade da montadora na fraca performance da Williams, atribui tudo ao carro e nada ao motor. "Ele pensa que tem o melhor motor da Fórmula 1, mas todos sabem que não é verdade", afirmou Head ao jornalista italiano Paolo Bombara, do SportMotorAuto. Frank Williams declarou, aos ingleses, que em três décadas na Fórmula 1 nunca viveu um ambiente tão hostil com um parceiro. Apesar do contrato com a BMW se estender até o fim de 2009, Williams e BMW devem anunciar a separação antes do fim da temporada. A BMW deve associar-se à Sauber.

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